Em maio a CryptoQuant previa queda até 2027. Agora vê um novo ciclo no bitcoin
O bitcoin passou boa parte de 2026 em queda, e, para Ki Young Ju, que comanda a CryptoQuant, essa fase terminou ainda no meio do ano. Ele apresentou a leitura no começo de outubro. Na projeção dele, a alta deste ciclo fica entre três e cinco vezes o piso, bem menor que as explosões de mais de dez vezes vistas em anos anteriores. A previsão não traz valor final nem prazo para acontecer.
A tese é uma virada. Em maio, o mesmo analista dizia que a queda poderia se estender até o começo de 2027, seguindo o roteiro das correções longas de 2014, 2018 e 2022. Agora, ele afirma que a virada chegou e que o bitcoin começou um novo ciclo, ainda no começo.
A mudança de tom tem um motivo. Ki Young Ju atribui o ciclo mais contido ao novo perfil de quem compra bitcoin. Fundos de índice, cofres de custódia e tesourarias de empresas passaram a carregar boa parte das moedas, um grupo que se move em ritmo diferente do capital de varejo que sustentou as altas vertiginosas de anos anteriores.
O efeito corta os dois lados. Um mercado maior precisa de mais dinheiro para dobrar de tamanho, o que torna outra alta de 10 vezes mais difícil. A mesma força reduz a chance de um tombo de 80%, porque a base de investidores que costuma vender tudo no pânico ficou menor. Em publicação no X, em 22 de setembro, ele resumiu a troca. Uma alta menos explosiva vem junto com uma queda menos brutal.
O que mudou no mercado
O argumento estrutural vem de antes. Em julho, Ki Young Ju mostrou que o bitcoin ficou mais caro de mover com o tempo. Em 2011, cerca de US$ 2,7 bilhões de capital novo bastaram para o preço subir mais de 55.000%. No ciclo atual, pouco menos de US$ 700 bilhões produziram uma alta perto de 700%.
A conta mudou de escala. Quantias que antes dobravam o preço agora mexem pouco na cotação. Um bitcoin pequeno, nas mãos de poucos e sob domínio do varejo, sobe rápido com pouco dinheiro. Para outra disparada como as do passado, ele estimou que seriam necessários mais de US$ 1 trilhão em capital realizado, que reavalia cada moeda pelo preço da última vez em que ela se moveu na rede. Essa escala só chega se o bitcoin virar parte fixa da carteira de grandes investidores, empresas e até governos.
Os sinais que vêm da rede
A virada se apoia em dados que apontam para a mesma direção. O capital realizado cresce, sinal de dinheiro novo entrando no mercado. Os detentores antigos, chamados de baleias, interromperam as vendas que vinham fazendo desde o ano passado. No mercado de derivativos, grandes operadores voltaram a montar posições compradas perto do fundo, e a média de lucro acumulado dos detentores dá sinal de inflexão, um indicador que costuma demorar a virar nos ciclos.
Neste ciclo, a média de lucro dos detentores nunca ficou abaixo de zero. Mesmo no fundo, o conjunto das carteiras seguiu acima do preço médio pelo qual adquiriu as moedas. A conta apertou para quem comprou no topo, mas a maioria não ficou no prejuízo.
A linha dos US$ 80 mil
O preço médio de entrada dos cotistas dos fundos de índice virou referência. Ki Young Ju situa essa marca na casa dos US$ 80 mil, na parte de baixo da faixa. Enquanto o bitcoin opera acima dela, esses investidores, como grupo, seguem no lucro.
Medida a partir do piso perto de US$ 58 mil, no fim de junho, uma alta de três vezes levaria o preço a cerca de US$ 174 mil, acima do recorde de US$ 126 mil alcançado em outubro do ano passado. Cinco vezes apontaria para perto de US$ 290 mil.
Nem todos leem o mesmo mercado. A ideia de que o mercado se reparte em blocos de quatro anos, ligados ao corte pela metade da recompensa dos mineradores, ainda divide analistas. Para Ki Young Ju, o custo de produção e esse mecanismo continuam dando referência ao comportamento do preço, mesmo com o calendário alterado.
Há pontos em aberto na própria tese. O analista afirma que ainda não é possível saber com clareza quem são os compradores finais dos fundos de índice, o que o levou a olhar com mais atenção para o movimento das carteiras de custódia. Juros, liquidez e regulação seguem no radar, porque, na leitura dele, o mercado ficou complexo demais para ser explicado só pelos dados da rede.
O preço, até aqui, ficou devendo. O bitcoin bate no teto dos US$ 87 mil desde o fim de setembro e trava antes de fechar o dia acima desse nível. Nesta segunda-feira, a moeda ronda os US$ 86 mil, perto de 32% abaixo do topo de outubro de 2025.
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