IA e Tecnologia

Inteligência artificial agora é inteligência superior

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu nesta quinta-feira que, na Casa Branca, quem diz "inteligência artificial" virou inimigo. O termo oficial do governo dele para a tecnologia é outro, "inteligência superior". A frase foi publicada em maiúsculas, e a última palavra, no original, é "inimigo".

A justificativa da troca é sempre a mesma. Na visão do presidente, a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa, quando o que existe, segundo ele, é algo "incrível".

A mudança de nome começou como enquete. Em 19 de setembro, ele abriu na própria rede social uma votação com três opções, inteligência superior, extrema ou suprema, e pediu que as pessoas escolhessem a melhor.

Três dias depois, no discurso da Assembleia Geral da ONU, anunciou que os documentos oficiais dos Estados Unidos passariam a usar "inteligência superior". O Departamento de Estado repassou a orientação aos diplomatas, que trocaram a sigla IA por SI nos textos e nas falas.

Em 29 de setembro veio a ordem executiva. O texto determina que os órgãos do Executivo usem os termos novos e afirma que os antigos deixam de ser reconhecidos no governo.

O que a ordem muda

Por enquanto, o alcance é o vocabulário. A ordem define "inteligência superior" com a definição que já existe na lei americana para inteligência artificial e afirma que documentos, contratos, normas e papéis anteriores não precisam ser reescritos.

O texto também dá 60 dias para o conselheiro de ciência da Casa Branca propor ao Congresso uma definição própria para o termo novo.

No mesmo dia, o governo divulgou um acordo voluntário assinado pelos chefes de Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia, com compromissos de auditoria externa e de revisão dos sistemas mais avançados.

A força-tarefa e a adesão

Em 4 de outubro, Trump anunciou a Força de Inteligência Superior, comandada pelo diretor de inteligência nacional, Jay Clayton.

Andrew Ferguson, da comissão federal de comércio, Emil Michael, do Pentágono, e Scott Kupor, do órgão de gestão de pessoal, ficam como vice-presidentes. O grupo tem 120 dias para entregar um relatório sobre riscos e benefícios da tecnologia.

As empresas de tecnologia ainda não acompanharam a troca. Google, OpenAI, Anthropic, Meta e Nvidia não disseram se vão renomear produtos. A exceção foi Elon Musk, que disse que a plataforma de inteligência artificial da empresa dele passaria a se chamar SpaceXSI.

O que o público quer

Os eleitores seguem na direção oposta à do discurso oficial. Em uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, feita entre 24 e 27 de setembro, 81% dizem que segurança importa mais do que estar na frente da inovação, e 86% apoiam a cobrança de padrões independentes de segurança das empresas, ainda que o desenvolvimento perca velocidade.

O mesmo levantamento registrou 91% a favor de regras que protejam os sistemas e 72% contra a instalação de um centro de dados de inteligência artificial na própria comunidade.

O termo escolhido não é invenção do governo. "Superinteligência" ficou conhecida com o livro do filósofo Nick Bostrom, de 2014, e nomeia sistemas muito mais capazes que os humanos em qualquer tarefa, justamente o cenário que a área de pesquisa mais teme. O governo americano adotou a palavra para a tecnologia que, pela sua própria ordem, segue sendo a mesma de antes.

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