Macro

O CPI de setembro é o dado que falta

A alta de setembro foi a primeira do Federal Reserve desde 2023, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, e a decisão seguinte está marcada para 28 de outubro. No meio do caminho, na quarta-feira, sai o índice de preços ao consumidor de setembro, o último dado de inflação antes da votação do comitê. O mercado de futuros trabalha com uma chance minoritária de nova alta, perto de 18%, e trata dezembro como o mês mais provável para um novo aperto.

A postura do presidente Kevin Warsh explica a dúvida. Ele repetiu que a inflação segue acima do que o banco aceita e já há tempo demais, e voltou a dizer que a meta de 2% é compromisso. Na reunião de setembro, os próprios diretores indicaram que deve haver ao menos uma elevação até dezembro, e a ata publicada na semana passada manteve a porta aberta.

Os números mais recentes mostram por que o assunto não morreu. O índice de agosto subiu 0,4% no mês e 3,4% em doze meses, com o núcleo em 0,3% e 2,4%. A energia acumulou alta de 16,3% em um ano, e a gasolina sozinha respondeu por mais de um terço do avanço mensal. O índice de preços de gastos com consumo, divulgado em 30 de setembro, ficou em 3,4% em doze meses, com o núcleo em 3,0%.

Para setembro, a projeção de consenso aponta a inflação em doze meses subindo de 3,4% para algo entre 3,6% e 3,7%, com o núcleo perto de 2,4%. O empurrão vem dos preços da gasolina, que bateram recorde para o mês de setembro, e uma leitura de 3,7% deixaria o índice mais longe da meta de 2%.

A dúvida sobre o Fed aparece nas apostas. Depois do dado de emprego divulgado no mês passado e da ata, a aposta em uma alta em outubro recuou de 33% para perto de 20%, e para dezembro a maioria das posições continua apontando mais um aperto. A decisão de 28 de outubro sai pouco depois do dado de quarta.

O resto da semana

A quinta-feira concentra o resto dos dados, com os índices de preços ao produtor, as vendas no varejo e os pedidos semanais de auxílio-desemprego. À noite, Warsh participa de uma conversa com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva. Na segunda-feira, o mercado de títulos do Tesouro americano não abre, por causa do feriado nos Estados Unidos.

O pano de fundo é o juro longo. O título de dez anos do Tesouro americano foi negociado perto de 5,3% na semana passada, e o de trinta anos chegou a 5,7%, o maior nível em cerca de 24 anos, em meio a leilões que ainda encontram demanda. Warsh citou a dívida que financia o investimento em inteligência artificial como uma disputa por capital que empurra esse juro.

A decisão de 28 de outubro depende de quanto o dado de quarta confirmar a pressão. Uma leitura de 3,7% deixaria a inflação mais longe da meta de 2%.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *