O Golfo recupera 80% do petróleo que exportava antes da guerra e o preço do barril não veio junto
A saída de crude do Golfo Pérsico passou de 14 milhões de barris diários na semana passada, o maior volume desde o início do conflito com o Irã. Isso é mais de 210% acima do fundo de 4,5 milhões de barris registrado em março. A média de quatro semanas também alcançou 14 milhões, o melhor valor em seis meses. Do lado do mercado, a reação foi oposta. O Brent recuou de US$ 103,53 para US$ 101,69 entre a última sessão de setembro e a de segunda-feira.
A explicação está em dois números que caminham na direção contrária. As exportações do Golfo sem o Irã já voltaram ao patamar anterior à guerra, com pelo menos 16,5 milhões de barris por dia. E o petróleo iraniano praticamente parou de sair.
O que mudou no caminho
O petróleo do Golfo não está mais saindo pelo caminho de antes. Cerca de 40% do volume deixa a região por fora do Estreito de Hormuz, contra 17% antes do conflito. Derrubar a transitagem foi parte do combinado, e o modo de contornar envolve dutos e troca de navio em alto mar.
A Arábia Saudita e os Emirados aumentaram o uso de gasodutos para levar o crude direto a terminais alternativos. O gasoduto Leste-Oeste da Arábia e a rede dos Emirados ganharam peso. A Arábia chegou a fechar o gasoduto Leste-Oeste depois de um ataque de drone vindo do Iraque, e o volume embarcado pelo porto de Yanbu, junto ao Mar Vermelho, aumentou desde então, sinal de recuperação da tubulação.
Nos petroleiros, mais de 70% do crude que cruzou o estreito em agosto mudou de navio em alto mar, principalmente ao redor dos Emirados ou de Omã. Um comboio leva o petróleo pelo estreito até o Golfo de Omã, onde o cargue passa para outro petroleiro com destino sobretudo a mercados asiáticos. A presença militar americana no corredor protege um sistema que passou a depender de muitas etapas, com a rota dupla na costa omanita como peça central.
A reabertura teve ajuda militar. A recuperação dos fluxos foi atribuída à ação do exército americano em partes do estreito e à abertura de um corredor de navegação na costa de Omã, que permitiu a retomada dos comboios.
O que não voltou
O volume voltou, o derivado não. Gasolina, diesel e querosene de aviação continuam em torno de 50% dos níveis anteriores ao conflito, segundo estimativa publicada na segunda-feira. Produto refinado é mais caro e mais difícil de mover que o bruto, e várias refinarias do Golfo atingidas no início do conflito ainda não voltaram à operação completa. O desequilíbrio entre o volume de bruto que sai e o de derivado que falta explica a pressão que continua sobre os preços de combustível ao consumidor.
A diferença entre o Irã e o resto do Golfo é o dado mais duro dos últimos dias. A Aramco cortou os preços de novembro para a Ásia para mínimas de seis anos. Ao mesmo tempo, as embarcações iranianas continuam sob bloqueio naval americano. O petróleo continua sendo a fonte principal de receita de Teerã, e o acesso ao mercado internacional é o que ficou restrito.
O dia a dia no mercado
Na madrugada de segunda-feira o Brent perdeu 0,34% e foi a US$ 101,90, com queda de 35 centavos. O WTI perdeu 0,68% e parou em US$ 90,49. Na semana anterior o Brent tinha devolvido a maior parte dos ganhos, depois de tocar US$ 106,60 em 24 de setembro.
Dois movimentos explicam a queda de curto prazo. Na sexta-feira, o Grupo dos Sete acordou untapped reservas de emergência num volume de 100 milhões de barris, e prometeu não limitar a saída de energia. E quatro dos sete dias da semana final de setembro tiveram fluxo do Oriente Médio acima do patamar anterior ao conflito, segundo dados de transporte.
O alívio temporário tem limites óbvios. Os houthis do Iêmen atacaram com foguetes e drones áreas da Aramco em Riade e na região de Khurais. O grupo revidou depois de 50 bombardeios aéreos e de mísseis da Arábia Saudita no Iêmen ao longo de doze horas. A Arábia não confirmou. A OPEP também adiou a revisão que definiria as cotas de produção de 2027, depois que a guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã atrapalhou projetos de expansão no Oriente Médio.
O que isso significa para o consumidor
O Brent opera perto de US$ 101, quase 41% acima dos US$ 72,48 que fechava em 27 de fevereiro, na véspera da guerra. O volume recuperado tira pressão, mas tira do começo. O derivado, que é o que o consumidor paga, segue na metade do patamar anterior, e é ele que sustenta preços internos altos nos Estados Unidos e na Europa.
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