O juro de 5% testa os US$ 55 bilhões que restaram nos ETFs de bitcoin
O fluxo líquido acumulado dos ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos está em US$ 55 bilhões. O número é do analista da Bloomberg Eric Balchunas e fica US$ 8 bilhões abaixo do pico de US$ 63 bilhões e US$ 5 bilhões acima da mínima recente, de US$ 50 bilhões.
Em paralelo, o bitcoin foi de US$ 126.296, em outubro de 2025, a US$ 57.717, em julho de 2026, perda de cerca de 54%.
Do topo à mínima, o fluxo acumulado recuou cerca de US$ 13 bilhões, ou 21%, enquanto a cotação perdeu mais da metade do valor. Os cotistas reduziram posição de forma limitada, sem acompanhar a queda do preço.

O que o número mede
O fluxo acumulado é a soma, em dólares, do que entrou e saiu das cotas, sem contar a valorização ou a desvalorização trazida pelo preço, e Balchunas o trata como o melhor termômetro disponível por esse motivo. A medida tem um limite. Ela diz quanto capital se movimentou, não quanto do que segue aplicado está no prejuízo.
Em 11 de setembro, os ativos líquidos somavam US$ 97,58 bilhões, contra US$ 55,15 bilhões de fluxo acumulado, na contabilidade da SoSoValue.
A diferença, de US$ 42 bilhões, é em boa medida o ganho que os cotistas acumulam desde janeiro de 2024.
Fluxos mudam mais rápido que o acumulado
O movimento diário é bem mais instável. Em 3 de setembro, os fundos captaram US$ 731 milhões, com US$ 454 milhões no IBIT, da BlackRock. Em 10 de setembro houve resgate líquido de cerca de US$ 283 milhões, e o dia 11 completou o quarto pregão seguido de saídas.
Na semana de 7 a 11 de setembro, o saldo foi negativo em US$ 463 milhões.
A virada coincidiu com aperto monetário em duas frentes.
O Federal Reserve agiu primeiro. Em 16 de setembro, a taxa básica passou à faixa de 3,75% a 4% ao ano, em um avanço de 0,25 ponto aprovado por unanimidade, o primeiro desde 2023. As projeções do comitê apontam ao menos mais um aumento neste ano. O Treasury de dez anos fechou aquele dia em 5,01%, segundo a série do próprio Fed. Um título público que paga cerca de 5% eleva o custo de oportunidade de quem mantém bitcoin.
O Banco do Japão subiu os juros nesta sexta, 18 de setembro, para 1,25%, o maior nível desde 1995, em votação dividida de sete a dois. Junto com o Fed, o crédito fica mais caro em duas das maiores economias do mundo.
No campo regulatório, o Clarity Act não obteve os votos necessários no Senado em 15 de setembro, com placar de 49 a 50 em votação que exigia 60 apoios. Os ETFs não dependem do texto para funcionar, pois operam com autorização da SEC de 2024, mas a derrota adia o marco legal do setor.
O custo de ficar
Em 12 meses, o bitcoin acumulou queda de 34,4%, e o SPY, fundo que replica o S&P 500, subiu 15,5%, na medição do 24/7 Wall St. A diferença de quase 50 pontos percentuais mede o que os cotistas deixaram de ganhar.
O alívio de sexta melhora o quadro só em parte, e a diferença está em quem comprou.
O bitcoin subiu cerca de 6% e passou de US$ 81 mil, com liquidação de aproximadamente US$ 540 milhões em posições vendidas em 24 horas. As liquidações forçadas viram compra a mercado e sustentam a alta sem ordens novas, o que faz do percentual um sinal fraco de demanda.
O que a série sugere
O teste agora é outro. A queda do preço não obriga ninguém a vender. Já os cerca de 5% que o Treasury paga são dinheiro que a carteira deixa de receber todo mês, e a conta cresce enquanto os juros ficarem altos.
Se o acumulado ficar perto dos US$ 50 bilhões da mínima, os cotistas terão atravessado a fase mais difícil com pouco desgaste.
Romper esse piso, com o Treasury em 5% e nova alta de juros no horizonte, indicaria mudança de comportamento. O balanço da SoSoValue para a semana de 14 a 18 de setembro mostrará se o resgate da semana anterior foi pontual ou o início de uma tendência.
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