Segurança

O pior mês de roubos de 2026 e os US$ 271 milhões que voltaram

Dois roubos explicam quase todo o prejuízo de setembro no mercado de ativos digitais. Somados, os ataques à corretora Bitget e à rede Liquid concentraram mais de 92% do total levado no mês.

O mês fechou acima dos US$ 766 milhões, o pior de 2026 e quase 3,5 vezes o total de agosto. Dois levantamentos independentes chegaram ao mesmo patamar. A PeckShield somou 55 casos e US$ 766,5 milhões, enquanto a CertiK listou 97 incidentes e US$ 768,4 milhões.

E boa parte do que saiu voltou.

Na outra ponta, a CertiK calcula que US$ 270,6 milhões já foram devolvidos ou bloqueados. O saldo que ninguém reavê fica perto de US$ 496 milhões, ainda acima de tudo o que foi roubado em agosto inteiro.

O maior roubo do ano

Em 24 de setembro, a Bitget percebeu saques não autorizados em carteiras quentes e mornas, ligadas à operação do dia a dia, e suspendeu todas as retiradas. Ao todo, US$ 387,5 milhões saíram para endereços controlados pelos invasores, o maior roubo do ano.

A corretora informou que os atacantes aproveitaram uma falha de dia zero, desconhecida até pelo fabricante, em um programa de segurança de terceiros. Com o acesso, obtiveram credenciais internas de alto nível e forjaram ordens de saque que o sistema aceitou como legítimas.

A investigação da SlowMist, contratada pela empresa, mostrou que os invasores circulavam pelo ambiente havia quase um mês. O primeiro registro de atividade maliciosa é de 31 de agosto, 25 dias antes do roubo.

A retirada do dinheiro foi rápida. Cerca de US$ 228 milhões saíram em 18 minutos, distribuídos por sete redes diferentes. O XRP foi a maior fatia, perto de US$ 153 milhões.

As chaves privadas e as carteiras frias, que guardam a maior parte dos fundos, passaram ilesas. O prejuízo ficou com o fundo de proteção da corretora, que mantém 5.500 BTC, mais de US$ 464 milhões, e cobriu o valor sem cortar o saldo dos clientes. O fundo foi recomposto para mais de US$ 300 milhões em 30 de setembro, e as retiradas voltaram em etapas, do bitcoin em 28 de setembro ao restante das moedas em 2 de outubro.

O roubo que terminou com o dinheiro de volta

Em 6 de setembro, uma falha no software Elements permitiu criar cerca de 4.000 LBTC sem lastro em bitcoin e trocá-los por BTC real na Liquid, rede paralela ao bitcoin mantida pela Blockstream.

A operação levou US$ 318,7 milhões. A reserva da rede caiu de 4.205 para 197 BTC antes de as movimentações serem suspensas.

Horas depois, o autor se apresentou em mensagens na própria rede como hacker do bem e passou a negociar. Em 7 de setembro, devolveu 3.400 BTC, perto de US$ 272 milhões e 85% do total, depois que a falha foi corrigida. Cerca de 602 BTC, por volta de US$ 47 milhões, seguem com ele.

Os casos menores e o placar do ano

Fora dos dois gigantes, o mês teve perdas bem mais modestas. Usuários da Safe Wallet responderam por US$ 7,8 milhões, a carteira D'CENT, por US$ 6,03 milhões, e a plataforma Duelbits, por US$ 5,97 milhões. Somados, os três não chegam a 3% do total de setembro.

O quadro de 2026 segue pesado. Segundo o painel da CertiK, o ano já registra 656 incidentes de segurança e US$ 2,68 bilhões em perdas, com US$ 1,315 bilhão em 344 casos só no primeiro semestre.

Passado o mês, a Bitget ainda tenta reaver parte do que saiu e oferece recompensa de 5% a quem ajudar a congelar ou devolver os fundos. Para a presidente-executiva da corretora, Gracy Chen, a recuperação dos US$ 388 milhões roubados deve ficar longe do total, e o parâmetro que ela usa é o pouco que a Bybit conseguiu reaver depois do ataque de 2025.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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