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Queda do Bitcoin abaixo de US$ 64.000 gera US$ 305 milhões em liquidações

O Bitcoin liquidou posições alavancadas ao cair abaixo de US$ 64.000 nesta sexta, apagando os ganhos de uma semana que parecia promissora. Segundo dados do CoinGlass, as liquidações no mercado crypto somaram US$ 305 milhões nas últimas 24 horas, com a maior parte concentrada em posições compradas que foram pegas de surpresa pela velocidade da queda. A criptomoeda havia batido em US$ 67.000 na quarta, e o mercado estava excessivamente comprado esperando continuação.

O BTC saiu de US$ 64.800 na tarde de quinta, subiu até US$ 65.705 na madrugada, e em minutos despencou para US$ 63.666. Dois mil dólares apagados em sete horas. O ativo se recuperou parcialmente para US$ 64.099, mas o estrago já estava feito, com US$ 305 milhões em posições liquidadas em todo o mercado, das quais a maior parte em apostas de alta que foram forçadas a encerrar à medida que o preço rompeu sucessivos níveis de suporte. O volume de negociação em futuros subiu 3,7% nas últimas 24 horas, para US$ 162 bilhões, segundo o CoinGlass, sinalizando que a volatilidade atraiu tanto compradores de oportunidade quanto vendedores acelerando a saída.

O valor de mercado do Bitcoin encolheu de US$ 1,3 trilhão para US$ 1,285 trilhão em questão de horas.

O mercado estava inclinado a acreditar na alta. A Fraternal Order of Police, maior entidade policial dos EUA, retirou a oposição ao CLARITY Act, que estava parado no Senado justamente por causa da resistência da categoria. Em carta formal ao Comitê de Assuntos Bancários, a organização disse que as salvaguardas da proposta revisada são suficientes para proteger investidores sem sufocar a inovação. Três associações do setor, Blockchain Association, Crypto Council for Innovation e The Digital Chamber, enviaram carta conjunta à liderança do Senado pedindo que o projeto seja levado ao plenário antes do recesso de agosto. Pela primeira vez em meses, o cenário regulatório americano para crypto pareceu sair do impasse.

Isso porque o vilão da história não é a regulação, é o macro.

O mercado de crypto vive um contrassenso raro. A melhor notícia regulatória em meses coincide com a pior liquidação de posições compradas da semana. A explicação está fora do crypto, nos mercados de dívida e energia que determinam o apetite por risco global.

O rendimento do título de 30 anos do Tesouro americano está sendo monitorado no nível de 5,25%. Acima disso, ações e crypto sentem o peso de um custo de capital que estrangula a liquidez. O petróleo Brent recuou para abaixo de US$ 100, aliviando parte da pressão, mas as tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem no radar, com o mercado de energia ainda volátil. Dean Chen, analista da Bitunix, resumiu o cenário em liquidez, energia e Fed. Enquanto essas três variáveis não se alinharem, nem uma boa notícia regulatória como o CLARITY Act consegue sustentar o preço por conta própria.

O Bitcoin acumula variação lateral na semana.

O nível de US$ 64.000 virou linha na areia. Se o suporte segurar, o cenário regulatório continua melhorando e o macro pode dar trégua com o petróleo recuando. Se perder, os US$ 305 milhões em liquidações hoje podem ser apenas o começo de uma correção mais profunda. O mercado está num cabo de guerra entre regulação e macroeconomia, e por enquanto o macro está vencendo.

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