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Bug de 7 anos no app Ledger da Zilliqa expoe chaves privadas com cinco assinaturas

A Zilliqa suspendeu as transações nativas de sua rede após a descoberta de uma vulnerabilidade no aplicativo Ledger que permite a reconstrução de chaves privadas a partir de aproximadamente cinco assinaturas públicas. O bug, presente em todas as versões do app desde 2019, transformou um problema silencioso de sete anos em uma corrida entre usuários e atacantes pelos fundos comprometidos.

A falha está no processo de geração do nonce exigido para cada assinatura Schnorr em transações nativas da Zilliqa. O aplicativo gerava 40 bytes de aleatoriedade e reduzia o resultado ao módulo da curva secp256k1, mas copiava os 32 bytes errados para o buffer do nonce. A operação retinha oito bytes de preenchimento zero enquanto descartava oito bytes de entropia real, fixando os 64 bits mais altos do nonce em zero. Em criptografia de curva elíptica, um nonce previsível permite que um atacante recupere a chave privada a partir de múltiplas assinaturas, um princípio bem conhecido mas que dependia de um erro de implementação para ser explorado.

Cada nonce ficou limitado a valores abaixo de 2 elevado a 192, um espaço de busca dramaticamente menor do que o esperado. Em termos práticos, a entropia do nonce caiu de 256 bits para 192 bits, e a estrutura previsível dos bits mais altos permitiu que técnicas criptográficas de redução de lattice reduzissem ainda mais o esforço necessário para recuperar a chave.

Segundo a Zilliqa, um atacante pode combinar aproximadamente cinco assinaturas afetadas produzidas pela mesma chave privada e usar técnicas de redução de lattice para reconstruir aquela chave em segundos usando hardware comum, como um notebook com processador moderno.

A exchange KuCoin identificou a vulnerabilidade e ajudou a confirmá-la. De acordo com o comunicado oficial, a exchange recuperou chaves privadas afetadas usando assinaturas publicamente disponíveis na blockchain e auxiliou no rastreamento do problema até o código de geração do nonce. O papel da KuCoin foi essencial tanto para validar a gravidade da falha quanto para confirmar que a exploração estava ativa.

A Zilliqa detectou atividade de exploração ativa em 19 de julho e confirmou a causa raiz em 21 de julho. O comunicado oficial não identificou endereços afetados nem quantificou perdas, mas disse que a pausa nas transações nativas interrompeu novos drenos de contas comprometidas.

A gravidade do problema é que as assinaturas enfraquecidas permanecem permanentemente disponíveis na blockchain. Atualizar o aplicativo Ledger não remove a informação já exposta. As chaves privadas afetadas precisam ser definitivamente aposentadas.

A corrida contra atacantes na migração dos ativos

Mas transferir ativos para um novo endereço depois que as transações nativas forem retomadas carrega outro risco. Um atacante que já reconstruiu a chave privada também pode assinar uma transação válida e tentar se antecipar à transferência do usuário legítimo. A Zilliqa está equilibrando duas exigências antes de reabrir a atividade nativa, que são permitir que usuários transfiram seus ativos e impedir que atacantes com a mesma autoridade de assinatura vençam a corrida de transações.

A rede está finalizando um plano de remediação coordenado.

Transações EVM e os SDKs oficiais zilliqa-js, gozilliqa-sdk e pyzil não são afetados. A Zilliqa disse que está preparando uma versão corrigida do aplicativo Ledger em coordenação com a Ledger, que restaurará a geração completa de nonces. O token ZIL caiu 1,5% nas últimas 24 horas e 17% na semana, sendo negociado acima de US$ 0,0024 no momento da publicação.

O caso expõe um ponto cego recorrente na segurança de hardware wallets. O aplicativo que roda dentro do dispositivo pode conter falhas que o hardware seguro em si não detecta. A Ledger vende a soberania das chaves, mas quem audita o código que as assina?

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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