DeFi

WEMIX sofre violação de contrato e atacante movimenta US$ 724 mil

A WEMIX, blockchain layer-1 da sul-coreana Wemade, amanheceu neste domingo com mais um incidente de segurança que expõe fragilidades na blindagem do ecossistema. O alvo foi o contrato da WEMIX$, a stablecoin da rede que é lastreada em USDC. Um invasor conseguiu assumir a propriedade do contrato e, a partir daí, emitiu tokens sem qualquer autorização, num movimento que acionou todos os alarmes da plataforma.

O ataque e a resposta da WEMIX

O movimento anômalo foi detectado às 09h17 UTC (18h17 na Coreia do Sul). Cerca de 5,23 milhões de WEMIX$ foram cunhados ilegitimamente e imediatamente convertidos em 30.736 WEMIX e 724.198,27 USDC.e.

A partir daí, os valores percorreram duas redes diferentes. O atacante transferiu os USDC.e para Ethereum e BNB Smart Chain, trocou por ETH e USDT e distribuiu o saldo entre múltiplos endereços. Uma parcela foi depositada em exchanges centralizadas.

A WEMIX afirma que já identificou as carteiras do invasor e solicitou o congelamento dos ativos. Algumas corretoras já atenderam.

A reação foi imediata e de amplo espectro. Todas as bridges conectadas à WEMIX3.0 foram suspensas, inclusive a recém-integrada Chainlink CCIP e a PLAY Bridge. A fundação retirou a liquidez dos pools afetados, entre eles WEMIX-USDC.e, WEMIX-WEMIX$, CROW-WEMIX$ e PLAY-WEMIX$. O WEMIX$ Module e a PNIX DEX foram pausados. Jogos com integração ao blockchain tiveram funcionalidades restritas, e o marketplace de NFTs ficou sem negociação. A empresa não quer dar chance para novos desvios enquanto a investigação não estiver concluída.

Os números são preliminares. A WEMIX fez questão de ressaltar isso. A causa exata do ataque segue sob investigação, com equipes internas e consultores externos. O valor final do impacto ainda pode mudar.

Um problema recorrente

Para piorar, este não é um caso isolado. Em fevereiro de 2025, a plataforma perdeu 8,65 milhões de WEMIX (US$ 6,1 milhões) no Play Bridge Vault, num ataque que explorou chaves de autenticação comprometidas. Na época, o CEO Kim Seok-hwan teve que desmentir publicamente que a empresa tentou abafar o incidente, num episódio que agravou a desconfiança dos usuários sobre a transparência da gestão.

Desta vez, o vetor é diferente. Se confirmada a violação de propriedade do contrato da stablecoin, a WEMIX estará diante de uma vulnerabilidade na camada de contratos inteligentes, algo que a rede ainda não havia enfrentado. O ataque anterior foi operacional, com chaves de autenticação comprometidas. Este é estrutural, mirando a própria lógica dos contratos que sustentam a stablecoin. A diferença de natureza entre os dois incidentes sugere que o calcanhar de aquiles da plataforma não está num ponto específico, mas na postura geral de segurança do ecossistema, que já acumula dois incidentes graves em menos de dois anos.

O timing torna o golpe ainda mais incômodo. Julho vinha sendo um mês de recuperação para a WEMIX, com marcos importantes. O segundo halving foi concluído no dia 1º. No dia 8, veio a listagem na Kraken. E foi neste mês que a integração com o Chainlink CCIP entrou no ar, justamente o protocolo que precisou ser desligado horas depois do ataque.

O rastreamento dos fundos e a auditoria dos contratos continuam. A WEMIX promete novos comunicados em breve. Enquanto isso, o mercado acompanha se a resposta será suficiente para conter os danos à confiança.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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