Chave de oracle roubada causou perda de US$ 24 milhões na Ostium
O post-mortem do incidente na Ostium confirmou o que muitos suspeitavam desde o dia 15 de julho. O exploit de US$ 24 milhões não foi causado por uma vulnerabilidade nos contratos inteligentes, mas por um breach off-chain que expôs uma chave privada de oracle.
Com acesso a essa credencial, o atacante conseguiu assinar relatórios de preço falsos que o protocolo aceitou como legítimos. O oracle da Ostium validava apenas a identidade do remetente, não a plausibilidade dos dados.
O atacante também obteve acesso a um keeper registrado, uma função chamada PriceUpKeep Forwarder que deveria ser controlada exclusivamente pela governança da Ostium.
Com as duas credenciais em mãos, o invasor abriu posições sintéticas compradas no par BTC/USD usando um preço falso de US$ 5 mil por bitcoin enquanto o mercado real negociava o ativo a cerca de US$ 60 mil.
A diferença entre os dois preços gerou um lucro artificial de aproximadamente 900% por ciclo. O atacante repetiu a operação em loop por dez iterações, cada vez compondo o lucro sobre o saldo anterior.
Oito transações e um rastro on-chain
Tudo aconteceu em oito transações, todas roteadas pelo mesmo par de contratos e pagando para a mesma carteira, identificada como 0x321Df1…8bfD9.
A transação mais vultuosa foi executada em um único batch atômico que ciclou aberturas e fechamentos até extrair o máximo do vault de liquidez OLP.
No total, cerca de US$ 23,75 milhões em USDC saíram do vault de liquidez OLP, o pool que sustenta todas as posições alavancadas da plataforma de perpétuos.
O atacante trocou os USDC por 12.080 ETH e, desse montante, depositou 10.540 ETH no Tornado Cash, o misturador de criptomoedas, para lavar os recursos e dificultar o rastreamento.
Duas firmas de segurança independentes detectaram o ataque quase em tempo real. A Blockaid estimou as perdas em US$ 18 milhões, enquanto a CertiK calculou US$ 22 milhões.
A Galaxy Research, em análise publicada dois dias depois do incidente, chegou a US$ 23,75 milhões.
A Ostium pausou todas as negociações em menos de 60 minutos depois da primeira transação do exploit. A plataforma recomendou que todos os usuários revogassem imediatamente as aprovações dos contratos.
O ponto mais incômodo do post-mortem é que a infraestrutura explorada, o PriceUpKeep, estava explicitamente excluída do escopo do programa de bug bounty do protocolo. Isso desincentivou pesquisadores de segurança a examinar o componente.
A Ostium opera na Arbitrum como uma corretora descentralizada de perpétuos com 75 pares de negociação, incluindo ações, ETFs, commodities e moedas estrangeiras. A amplitude de ativos exige múltiplos oracles, o que amplia a superfície de ataque.
O caso expõe uma fragilidade estrutural do DeFi que os contratos inteligentes por si só não resolvem. De nada adianta um código à prova de balas se as credenciais que alimentam os dados do sistema podem ser roubadas com um breach na infraestrutura off-chain.
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