Derivativos apontam bitcoin a US$ 80 mil e Wall Street empilha futuros
O mercado de derivativos está comprando a ideia de um bitcoin bem mais caro do que o spot mostra hoje. Os números de quarta-feira apontam mais de US$ 41 bilhões em futuros de bitcoin em aberto, e o mercado de opções coloca o max pain, o nível em que as opções mais perdem valor no vencimento, na faixa de US$ 80 mil. Tudo isso muito acima dos cerca de US$ 64,7 mil negociados no momento em que esta matéria foi redigida.
As apostas desenham um bitcoin mais caro do que a tela mostra.
Futuros empilhados e a volta dos institucionais
O grosso dessa posição está na Binance, que detém o maior open interest de futuros de bitcoin, cerca de 148 mil BTC valendo US$ 9,6 bilhões. A CME, a bolsa regulada preferida do capital institucional, aparece logo atrás com 102 mil BTC e saltou mais de 6% em um único dia, o tipo de movimento que costuma surgir quando grandes mesas retomam exposição.
O salto da CME veio acima do ritmo das rivais.
O contexto ajuda a explicar o peso desse movimento. O open interest total de futuros chegou a cerca de US$ 90 bilhões entre setembro e outubro de 2025, quando o bitcoin negociava acima de US$ 120 mil, e desabou para perto de US$ 43 bilhões em junho deste ano. Ver esse número voltar a subir, com a CME na liderança, é um retorno de apetite por exposição comprada.
O prêmio dos futuros cresce e as calls seguem à frente
O basis de três meses já recuperou para cerca de 4,3%.
Esse indicador mede o prêmio que o futuro paga sobre o spot em base anualizada. Ele saiu de níveis perto de 0,3% no fim de abril para cerca de 4,3% agora, segundo dados da Newhedge. Prêmios nessa faixa mostram traders dispostos a pagar mais para garantir exposição futura, sem chegar aos dois dígitos que marcam os mercados superaquecidos de alta.
Nas opções, o viés também pende para a alta.
Os contratos de call, que lucram se o bitcoin subir, somam 254 mil BTC em open interest contra 156 mil em puts, uma vantagem de 62% a 38% para os comprados. Mas o posicionamento novo conta outra história. No último dia, o volume de calls e puts ficou quase empatado, sinal de que o capital novo hesita enquanto as posições antigas seguem inclinadas para cima.
O mercado de opções aponta um alvo bem definido para o preço.
Max pain acima do spot e a leitura do vencimento
Max pain é a faixa em que o maior valor de opções expira sem valor, e é para lá que o preço costuma ser puxado perto do vencimento, porque é onde os vendedores de opção mais ganham. Na Binance, esse alvo aparece perto de US$ 80 mil no vencimento de 25 de dezembro, enquanto OKX e Deribit colocam o nível mais perto de US$ 69 mil a US$ 70 mil.
Todo o leque de bolsas aponta acima do spot atual.
A leitura cuidadosa é que US$ 80 mil funciona como uma âncora de vencimento. O max pain tende a puxar o bitcoin para a faixa dos US$ 69 mil a US$ 80 mil conforme a expiração se aproxima. O vendedor de opção é quem mais ganha nesse trecho. É um retrato de posicionamento que muda a cada vencimento.
Na CME, o valor nocional das opções mostra outro retrato.
O open interest total de opções se recuperou para cerca de US$ 36 bilhões, mas a atividade na CME encolheu. O valor nocional das opções da bolsa americana caiu de cerca de US$ 290 milhões em novembro para US$ 50 milhões, com as puts superando as calls e a maior parte das posições concentrada em vencimentos de um a dois meses. É um perfil de trader esticando apostas curtas, em vez de mirar o longo prazo.
Os próximos vencimentos vão dizer se o max pain segue subindo.
Para quem acompanha o mercado, o resumo dos próximos dias está em dois sinais. Se o basis de três meses se manter acima de 4% e o max pain continuar a subir nos vencimentos da CME, a posição comprada ganha tração. Se os dois recuarem, o que se viu até aqui foi mais uma onda de apostas que se desfaz na liquidação, como tantas vezes antes.
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