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Evidência aponta código do hack da Coldcard ao CTO da Coinkite

Uma análise publicada em agosto pelo desenvolvedor de Bitcoin James O’Beirne liga o código defeituoso por trás da falha da Coldcard ao cofundador e diretor de tecnologia da Coinkite, Peter Gray. O trabalho, porém, é uma alegação baseada em evidências, e a empresa ainda não respondeu publicamente ao vínculo de identidade.

O rastro das assinaturas

O que sustenta a suspeita são os registros dos commits.

Segundo O’Beirne, 58 commits feitos sob o pseudônimo switck no repositório libngu carregam assinaturas válidas da chave pessoal de Gray. A conta switck nunca publicou uma chave própria, o que, na leitura do pesquisador, ligaria as duas identidades à mesma pessoa.

A libngu é a biblioteca no centro da vulnerabilidade.

O código, apresentado como uma dependência externa, era puxado pelo firmware de produção da Coldcard. A empresa de segurança Wizardsardine listou a libngu como um dos três repositórios envolvidos na falha.

O defeito em si já era conhecido e documentado. A falha estava em um guard de preprocessador que fazia a geração de sementes cair para um gerador por software, em vez do módulo de hardware. Isso reduziu a entropia das seeds e permitiu que atacantes as recriassem offline.

O problema entrou no código em março de 2021 e permaneceu sem revisão por mais de cinco anos. As ondas de roubo atingiram mais de 5.200 endereços, com valores entre US$ 114 milhões e US$ 116 milhões, segundo a Galaxy Research.

A parte mais sensível da análise é o aviso ignorado. O’Beirne afirmou ter alertado a Coinkite sobre o defeito em maio de 2025, mais de um ano antes do primeiro roubo. Ele relatou que a indicação foi descartada, e a biblioteca permaneceu no lugar.

O que ainda não foi confirmado

O vínculo com o CTO segue sem resposta oficial. A Coinkite reconheceu a falha de entropia e enviou um firmware de emergência, mas não emitiu resposta pública sobre a identidade do autor do código.

É importante deixar claro o status dessa alegação. A conexão entre a conta switck e Peter Gray é uma hipótese de O’Beirne, baseada em evidências criptográficas, e não uma condenação. O pesquisador admite que ainda não contou a história completa.

A investigação ganhou apoio independente. O analista Dylan LeClair e outros pesquisadores disseram ver consistência na correlação das assinaturas.

O debate sobre autocustódia voltou ao centro. O caso reabriu a discussão sobre os limites da guarda própria de bitcoin. Especialistas ponderam que a falha é de uma implementação específica, e não um veredito contra a autocustódia.

Para os usuários, a orientação permanece a mesma. Quem criou uma semente em firmware afetado deve tratá-la como comprometida e migrar os fundos. Carteiras com passphrase forte ou em multisig não foram atingidas.

O que chama a atenção é a questão de governança. Uma biblioteca de segurança crítica mantida sob uma identidade alternativa é um ponto que o caso levanta, ainda que a ligação com o CTO precise de resposta formal. A pergunta sobre quem aprovou o código segue em aberto.

O episódio segue como um dos maiores roubos de autocustódia da história. Com o ataque ainda em andamento, a pergunta é se a empresa vai se pronunciar sobre o vínculo apontado por O’Beirne.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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