BNB Chain promete ficar bem mais rápida
A BNB Chain divulgou o resultado de um novo teste de desempenho que aponta para uma rede substancialmente mais rápida. Na avaliação, o throughput da BSC subiu de 1.237 para 2.324 transações por segundo após a aplicação de uma proposta chamada BEP-675, um ganho de cerca de 88% na capacidade de processamento.
A melhoria foi medida em um ambiente de teste interno, a QANet. A testnet foi desenhada para reproduzir a topologia de validadores da BSC em várias regiões do mundo, o que torna o número uma estimativa mais fiel do que a rede poderia entregar em produção.
Como o teste foi feito
O que mudou na prática é o fim de uma etapa repetida. Antes, o bloco era construído e o validador precisava executá-lo novamente antes de selar. Com o BEP-675, o construtor submete a peça já totalmente executada, e o validador pula essa segunda rodada, economizando o tempo que era gasto ali.
Ainda assim, o teste preservou parâmetros importantes.
O intervalo entre blocos seguiu em 450 milissegundos, e a latência de finalidade não mudou. Também não houve alteração no limite de gás, mantido em 100 milhões, o que indica que o ganho veio da remoção da execução redundante, não de um relaxamento das regras.
O avanço é parte de um plano maior.
O BEP-675 integra o roteiro técnico da BNB Chain para o segundo semestre de 2026, ao lado de iniciativas como o FOCIL e as listas de acesso em nível de bloco, que buscam dar à rede mais espaço para escalar sem abrir mão da velocidade.
Essa mudança dá mais margem para crescer a capacidade ao mesmo tempo que mantém os intervalos apertados que ajudam a rede a responder rápido, sem forçar uma escolha entre velocidade e volume de transações.
O próximo passo é ver se o ganho se sustenta fora do teste. A equipe quer verificar se os mesmos resultados valem em escala de mainnet e junto aos demais upgrades do semestre, já que o desempenho em ambiente controlado nem sempre se repete em produção.
O plano para o futuro
O teste faz parte de um compromisso assumido antes. No roteiro, a primeira meta é dobrar o throughput da BSC no mainnet, com objetivo imediato de duas vezes e uma ambição de longo prazo de dez vezes para toda a rede. Os outros dois compromissos do plano também contam, como o isolamento avançado de recursos, para reduzir a interferência entre aplicações, e a revisão das taxas de gás, para baratear o custo de entrada tanto de empresas quanto de projetos nativos de internet.
A BSC já vinha em uma trajetória de aceleração.
No primeiro semestre, a rede reduziu o intervalo entre blocos para 450 milissegundos e aproximou a finalidade em memória de 650 milissegundos, além de quase dobrar o throughput em benchmarks. Em fases anteriores, esses testes chegaram perto de 5.200 transações por segundo, mostrando o quanto a rede evoluiu em 2025 e no início de 2026.
O número de 2.324 TPS do teste atual reflete um cenário mais realista.
O salto de 1.237 para 2.324 transações não aconteceu à toa. A remoção da execução repetida de blocos liberou capacidade que era consumida por um passo que os validadores não precisariam dar.
Para o usuário comum, o impacto tende a aparecer no dia a dia.
Um throughput maior reduz o congestionamento e a fila de transações pendentes, o que pode se traduzir em confirmações mais rápidas e em menos disputa pelo espaço nos blocos. Em uma rede usada por milhões de carteiras e aplicações, menos fila costuma significar custos de transação mais estáveis e uma experiência menos travada para quem opera no dia a dia. O ganho de velocidade, porém, não é o único foco da rede.
A BNB Chain também trabalha em uma arquitetura de primeira camada da próxima geração, pensada para diferentes casos de uso dentro do ecossistema, em busca de mais capacidade sem abrir mão de desempenho estável.
A confirmação real virá no uso contínuo.
Os números de um testnet, por mais expressivos que sejam, precisam ser comprovados no dia a dia da rede principal. É esse ciclo de teste, validação e ajuste que define se a promessa de uma BSC bem mais rápida se concretiza de verdade.
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