ETFs de bitcoin perdem US$ 385 mi com tensões no Oriente Médio
Os fundos de bitcoin ETF nos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 385 milhões na semana encerrada na sexta-feira, segundo dados da Farside Investors. A reversão veio depois de uma semana anterior que acumulou entradas de mais de US$ 865 milhões, a maior desde abril, e interrompeu uma sequência de sete dias consecutivos de compras. O preço do bitcoin, que variou entre US$ 62.800 e US$ 66.500 nas últimas quatro semanas, operava perto de US$ 64.300 no momento das saídas.
A mudança de sentimento coincide com a escalada de tensões no Oriente Médio, onde o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou novo capítulo. O petróleo subiu e as expectativas de inflação voltaram, criando um ambiente hostil para ativos de risco.
O que os dados revelam sobre os fluxos
O dado relevante é que os ETFs de bitcoin são utilizados tanto por investidores institucionais quanto por varejistas, e os dados de fluxo não discriminam quem está comprando ou vendendo. A semana de US$ 865 milhões em entradas não significou necessariamente que grandes fundos estavam acumulando, assim como as saídas de US$ 385 milhões não indicam que o institucional está abandonando o ativo. O que os números mostram é uma reversão de sentimento entre os participantes dos ETFs, sem distinção de perfil. Essa ambiguidade nos dados torna perigoso qualquer conclusão unilateral sobre quem está comprando e quem está vendendo.
A BlackRock, com o iShares Bitcoin Trust, e a Fidelity, com o Wise Origin Bitcoin Fund, lideraram as saídas da semana, respondendo pela maior parte dos US$ 385 milhões que saíram dos fundos. Já o fundo da Morgan Stanley, que estreou em abril, recebeu entradas líquidas, sugerindo movimentação entre plataformas em vez de saída do mercado.
Enquanto isso, o bitcoin manteve-se na faixa de US$ 62.800 a US$ 66.500 das últimas semanas, sem queda abrupta. A ausência de colapso sugere que o mercado spot absorveu a pressão de vendas dos fundos.
Investidores já haviam ignorado o hack da Coldcard em 31 de julho e o adiamento da votação do Clarity Act, continuando a comprar os fundos. Mas a escalada geopolítica no Oriente Médio parece ter sido o gatilho que mudou o comportamento dos participantes.
Um relatório da NYDIG de julho classificou o bitcoin como o ativo com pior desempenho no ano entre as principais classes de ativos, ficando atrás de títulos do Tesouro dos EUA, prata e moedas como o franco suíço. A análise destacou que o desempenho é pior do que em qualquer período desde 2022, quando o ativo caiu de US$ 69.000 para US$ 16.000. Se o preço seguisse o padrão de correções anteriores, um fundo de ciclo perto de US$ 38.000 a US$ 39.000 seria possível. A previsão é condicional, mas serve como alerta para investidores que esperam uma recuperação imediata do ativo.
O mercado segue dividido entre cautela temporária e reversão de sentimento. A resiliência do preço apesar dos US$ 385 milhões em resgates indica que o mercado spot absorveu a pressão sem colapso, independentemente de quem esteja nos ETFs. A pergunta é por quanto tempo essa resistência se sustenta diante de tensões geopolíticas crescentes e perspectivas de inflação em alta.
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