Stablecoins chegam a US$ 310 bilhões e Ethereum concentra 49% da oferta global
A capitalização de mercado das stablecoins ultrapassou US$ 310 bilhões em agosto de 2026, segundo dados de mercado. O mercado partiu de US$ 125 bilhões em meados de 2023. Em três anos, a oferta praticamente dobrou.
A Ethereum é a rede que concentra a maior parte dessa liquidez. Segundo dados de mercado, a blockchain hospeda US$ 146,9 bilhões em stablecoins, o que representa 48,7% do total global. A dominance está em queda gradual, mas a Ethereum segue como a camada de liquidez dominante.
A TRON ocupa a segunda posição com US$ 93,4 bilhões, concentrando mais de 97% da sua oferta em USDT. A dependência de uma única stablecoin torna a TRON sensível a qualquer alteração na política da Tether ou na demanda por USDT fora das exchanges reguladas. A Solana aparece em terceiro com US$ 15,9 bilhões, seguida pela BNB Chain com US$ 13,3 bilhões.
O USDT da Tether mantém a liderança entre as stablecoins com US$ 183,2 bilhões em circulação, equivalente a 59% do mercado. O USDC da Circle segue com US$ 73,8 bilhões, ou 24%. Juntas, as duas moedas respondem por 83% de toda a oferta de stablecoins. Nenhum outro token alcança 3% de market share.
A recuperação pós-Terra
O mercado de stablecoins passou por uma contração severa entre 2022 e 2023. Após o colapso da UST algorítmica da Terra em maio de 2022, a capitalização total caiu de US$ 155 bilhões para cerca de US$ 125 bilhões no segundo semestre de 2023. A recuperação foi liderada por moedas lastreadas em fiat, não por projetos algorítmicos, sinalizando uma mudança estrutural no mercado.
A expansão mais acelerada aconteceu em 2024 e 2025. O mercado cresceu de US$ 161 bilhões no primeiro semestre de 2024 para US$ 322 bilhões no pico de maio de 2026, segundo dados de mercado. A marca de US$ 310 bilhões em agosto representa uma queda leve em relação ao recorde, mas se mantém em patamares historicamente altos.
A dinâmica de crescimento reflete a convergência de fatores distintos. O volume de negociação em criptomoedas voltou a subir após o ciclo de alta de 2024, e a expansão dos pagamentos em stablecoins acelerou em mercados emergentes, onde o dólar digital funciona como reserva de valor alternativa.
O ambiente de taxas de juros elevadas também contribuiu. As stablecoins lastreadas em reservas de títulos do Tesouro geram rendimento para emissores, tornando o modelo financeiramente sustentável. Somada a isso, a clarificação regulatória em jurisdições como os Estados Unidos e a União Europeia abriu caminho para a entrada de instituições que antes operavam na informalidade.
O papel da Ethereum na infraestrutura
A Ethereum permanece como a referência de liquidez. Saldos de tesouraria institucional, protocolos de DeFi e movimentações entre instituições financeiras passam pela blockchain como camada primária de liquidez.
A Solana, com US$ 15,9 bilhões em stablecoins, tem USDC como moeda dominante com 44,5% da oferta. A Hyperliquid, com US$ 6,9 bilhões, concentra 98% em USDC. Esses números mostram que a competição por liquidez em stablecoins está se tornando mais especializada por rede, com cada blockchain atraindo um perfil diferente de uso.
O crescimento dos L2s também desenha um novo mapa. Base, Arbitrum e Polygon cada um detém cerca de 1% da oferta global, mas a soma dos L2s da Ethereum já representa uma parcela relevante da liquidez que antes ficava exclusivamente na mainnet. A descentralização da liquidez entre camadas é um processo gradual que não compromete a posição da Ethereum como settlement layer.
Projeções e o que vem a seguir
Projeções do Citigroup e do governo dos EUA apontam para US$ 420 bilhões em stablecoins até o fim de 2026. A projeção implica um salto de 35% em relação ao patamar atual, sustentado por adoção institucional e por marcos regulatórios como o GENIUS Act nos EUA.
O projeto de lei, que tramita no Congresso, estabelece requisitos de reserva e transparência para emissores de stablecoins. Se aprovado, pode abrir caminho para a entrada de bancos tradicionais no mercado, reduzindo a barreira de entrada para instituições que hoje operam com USDT e USDC sem supervisão regulatória direta.
A emissão de stablecoins também se tornou um modelo de negócio lucrativo. A Tether reportou lucros de bilhões de dólares com os rendimentos das reservas que lastreiam o USDT. A Circle, por sua vez, expandiu o USDC para múltiplas blockchains e firmou parcerias com fintechs para integrar pagamentos em dólar digital.
A questão que permanece é se o mercado pode sustentar o ritmo de crescimento sem repetir os erros do passado. O colapso da Terra mostrou que stablecoins algorítmicas sem reservas claras representam risco sistêmico. A recuperação pós-2023 foi construída sobre moedas lastreadas em fiat com auditorias regulares, o que reduz, mas não elimina, a possibilidade de falhas.
A capitalização de US$ 310 bilhões posiciona as stablecoins como um dos segmentos de maior crescimento no ecossistema cripto. A Ethereum, com quase metade da oferta, continua sendo a coluna vertebral dessa infraestrutura. O que define o próximo capítulo não é apenas o tamanho do mercado, mas a capacidade de integrar esses tokens ao sistema financeiro tradicional sem comprometer a segurança e a transparência que os tornaram viáveis.
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