Mercado Crypto

Justiça Eleitoral barra propaganda digital de candidato pró-bitcoin

O Tribunal Superior Eleitoral suspendeu nesta segunda-feira (31) a propaganda digital da campanha de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência. A decisão, do ministro Dias Toffoli, cortou o repasse de recursos públicos à chapa e impediu o candidato e o vice Aroldo Medina de participarem de debates em televisão, rádio e podcasts. A medida vale até a decisão final da corte sobre o caso. A campanha começou no dia 16 de agosto e tem duração de 45 dias.

O fundamento da suspensão

O motivo está no registro das redes sociais. O partido não comunicou à Justiça Eleitoral 16 perfis usados na campanha, contas informadas 12 dias depois do prazo. Uma delas, com 2,4 milhões de seguidores, já veiculava propaganda.

A legislação eleitoral determina que partidos e candidatos informem todos os endereços eletrônicos usados na campanha. Perfis criados depois do registro devem ser comunicados à Justiça Eleitoral em até 24 horas. Para Toffoli, a comunicação tardia criou vantagem ilegítima sobre candidatos que cumpriram as regras, porque as contas não declaradas permanecem sujeitas aos mecanismos de recomendação das plataformas que a norma procura neutralizar.

O despacho também bloqueou R$ 3,3 milhões do FEFC, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, disponíveis à sigla. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil por ato irregular.

A candidatura de Renan Santos não foi cassada e o registro permanece. A decisão não atinge o corpo a corpo, o site oficial nem o perfil original. Ficam suspensos os canais digitais não informados, a participação em debates e o acesso ao fundo eleitoral.

Reação e críticas na corte

Renan Santos classificou a decisão como uma inflexão autoritária. Em coletiva em São Paulo, o candidato disse que vai recorrer e chamou de absurda a acusação de abuso de poder econômico por causa de um problema técnico que, segundo ele, outros candidatos também enfrentaram. Para Renan, a decisão é ilegal e persecutória. A entrevista foi marcada horas depois de a medida vir a público.

O advogado Arthur Rollo sustentou que a medida paralisa a disputa e que, com uma campanha curta, alguns dias fora são irreversíveis. A defesa alega falta de contraditório e vai recorrer ao presidente do TSE, Nunes Marques, por uma liminar que reverta a cautelar.

A promessa de bitcoin como pano de fundo

O caso expõe o peso da promessa que projetou a candidatura. No dia 13 de agosto, durante o evento Blockchain.Rio, no centro do Rio de Janeiro, Renan Santos, empresário de 42 anos e fundador do Movimento Brasil Livre, afirmou que, se eleito, criaria uma reserva de bitcoin no Brasil, transformaria a cidade carioca em uma região cripto friendly e defenderia o fim do IOF sobre o setor. Na ocasião, criticou o que chamou de concentração de poder regulatório e de setor não ouvido pelo Estado, e disse que o país estava no caminho errado ao não ouvir a comunidade que criou o setor.

O anúncio o colocou como o único presidenciável a defender publicamente uma reserva nacional de bitcoin, na companhia de governos como El Salvador e Argentina, que adotaram políticas de abertura ao ativo digital e fizeram do tema parte de sua agenda econômica.

Dentro do próprio TSE, a decisão gerou críticas. Ministros ouvidos pela imprensa consideraram a medida desproporcional, ao apontar que a falha na comunicação de perfis se enquadra como irregularidade de propaganda, punível com multa de R$ 5 mil, e não como fato para suspender o acesso da chapa ao fundo eleitoral e a debates. A avaliação partiu de integrantes da corte que falaram sob reserva.

Um integrante da corte afirmou que o assunto deveria ser tratado como ação de investigação judicial eleitoral, não como questão de registro de candidatura, e que a sanção cabível seria uma multa de R$ 5 mil.

Renan Santos disputa a primeira eleição da vida. Paulista, empresário, presidente do Missão e fundador do MBL, o candidato comanda um partido aprovado pelo TSE em novembro de 2025. A legenda, formada há menos de um ano, também lança candidatos a deputado federal.

Com o canal digital restrito, o fundo bloqueado e a participação em debates suspensa, a campanha fica dependente do corpo a corpo para chegar ao eleitor. O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro e, a menos que a liminar reverta a suspensão, a chapa enfrentará o restante da campanha sem os canais digitais que projetaram sua candidatura.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *