Mercado Crypto

Coinext Exchange encerra após dez anos pressionada por regras do BC

A Coinext Exchange anunciou na quinta-feira (3) o encerramento das operações de varejo no Brasil após quase uma década de atividade. A decisão, tomada pelos acionistas da companhia, se soma a uma onda de fechamentos de corretoras de criptomoedas no país desde abril. O motivo central é a nova regulamentação do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais. A exigência de capital regulatório mínimo inviabilizou a continuidade do negócio.

A regulação do BC começou a vigorar em 2 de fevereiro e estabeleceu um prazo de nove meses para o pedido de autorização.

As normas exigem capital mínimo, sede física própria, segregação patrimonial e controles robustos de combate à lavagem de dinheiro, equivalentes aos de uma corretora de valores.

Fundada em 2017 em Belo Horizonte, a exchange foi uma das primeiras a oferecer acesso ao mercado crypto para o público brasileiro.

O CEO e cofundador José Artur Ribeiro publicou um comunicado aos clientes. Disse que a empresa explorou alternativas, conversou com potenciais parceiros e examinou diferentes modelos de continuidade, mas não encontrou um caminho que funcionasse dentro do prazo disponível.

O capital mínimo que inviabilizou a Coinext

O capital mínimo exigido varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, conforme a classificação da instituição. A Coinext se enquadra como corretora, categoria que exige o patamar mais alto, e informou não ter atingido esse capital mínimo. Nessas condições, a regulamentação obriga o encerramento e a devolução integral dos ativos e dos saldos dos clientes.

A companhia decidiu fechar as portas enquanto ainda mantém equipe, dinheiro e operação intactos.

Todo o saldo dos clientes permanece disponível e segregado do patrimônio da companhia. Ativos virtuais e recursos em reais registrados nas contas não integram o balanço da empresa.

O cronograma de encerramento é gradual. Desde a quinta-feira (3), a plataforma já não aceita novos cadastros, depósitos em reais ou criptomoedas, nem novas adesões a staking. As ordens de compra e venda ficam disponíveis até 15 de outubro, e os saques de ativos virtuais podem ser feitos até 20 de outubro. A partir de 26 de outubro, saldos remanescentes em crypto são convertidos automaticamente para reais.

A consulta a documentos e ao histórico de transações permanece liberada até 30 de novembro. A Coinext indicou o Mercado Bitcoin e a OKX como alternativas para clientes que queiram continuar operando, mas ressalta que não há transferência automática de contas e que não recebe comissão pela indicação.

A área de gestão do grupo, chamada Coinext Asset, segue normalmente atendendo o mercado institucional.

A onda de fechamentos no varejo crypto brasileiro

Com a Coinext, já são quatro exchanges encerrando operações de varejo no Brasil nos últimos cinco meses. A Bitnuvem saiu primeiro, em abril, a NovaDAX encerrou em junho após avaliação estratégica do grupo controlador chinês, e a Digitra.com informou em agosto que não pediria autorização ao Banco Central e encerraria a operação para cerca de 200 mil clientes. O prazo para que as empresas do setor protocolarem o pedido de autorização junto ao Banco Central termina em 30 de outubro. Depois disso, empresas que não têm licença ou processo em andamento ficam de fora do sistema financeiro regulado.

Associações do setor pediram ao Banco Central mais 120 dias para adaptação. A justificativa é que cerca de 80% dos projetos de certificação técnica em andamento ainda estavam com menos de 30% do trabalho concluído. A expectativa é de uma nova rodada de desistências nos próximos meses.

Para os mais de 420 mil clientes da Coinext, a recomendação é vender ou sacar os ativos dentro dos prazos e exportar o histórico de transações. A companhia afirma que seguirá existindo e estará disponível para processar saques em reais por prazo indeterminado.

A era das exchanges de criptomoedas com baixa barreira de entrada chega ao fim no Brasil. O Banco Central exige agora um padrão de operação equivalente ao de instituições financeiras tradicionais, e o impacto sobre o varejo começa a aparecer.

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