Além do Clarity Act, três sinais confirmam que o rali do Bitcoin tem base sólida
Além do Clarity Act, três sinais confirmam que o rali do Bitcoin tem base sólida
O Bitcoin opera acima de US$ 66 mil nesta terça-feira, impulsionado por relatos de que a Casa Branca teria concordado com a redação de um pacote de ética para o Clarity Act, movimento que pode destravar o andamento do projeto de regulamentação nos EUA e abrir caminho para uma participação institucional mais robusta. Mas quem está por trás da compra e se o movimento tem sustentação são perguntas que o mercado faz a cada alta.
A resposta, segundo dados on-chain e de mercado, é que o rali atual tem base ampla. Os fundos de índice (ETF) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos atraíram mais de US$ 700 milhões em cinco pregões consecutivos, a maior sequência de entradas desde maio, segundo a SoSoValue. A Tagus Capital destaca que esse fluxo contrasta com os US$ 7,5 bilhões em saídas registrados entre maio e junho, e indica que o perfil do comprador mudou. Enquanto isso, dados da CryptoQuant mostram que grandes baleias vêm acumulando posições nos últimos dois meses, absorvendo cerca de 270 mil BTC perto de US$ 59 mil, num movimento que analistas comparam aos grandes acúmulos observados após o colapso da FTX e nos fundos do ciclo de 2020. No mercado de opções, um trader ou grupo de traders montou posições expressivas de bull call spread mirando US$ 72 mil para o fim do mês, numa aposta direcionada de alta.
A Glassnode aponta que o mercado está “cada vez mais equilibrado”, com convicção de longo prazo fornecendo suporte enquanto a participação especulativa segue contida. No gráfico diário, o Bitcoin rompeu a média móvel de 50 dias e, se mantiver esse nível, pode acelerar em direção à média de 100 dias, em US$ 70,1 mil. O próximo grande teste está na média de 200 dias, em US$ 72,8 mil e uma quebra decisiva acima dela confirmaria o fim do bear market que começou em outubro do ano passado. Os volumes nas corretoras centralizadas (CEX) subiram 15,3% em junho, para US$ 1,11 trilhão, o primeiro aumento em cinco meses e mais um sinal de que a atividade está voltando.
O risco mais imediato está no mercado de títulos americanos. São esperados US$ 56 bilhões em novas emissões de Treasuries nesta semana, mais US$ 37 bilhões na quinta e US$ 13 bilhões na sexta. O volume pode drenar liquidez do sistema e pesar sobre ativos de risco até o feriado do Trabalho, segundo Michael Kramer, da Mott Capital Management. O rali atual não é sustentado por um grupo só, e isso é o que diferencia este movimento de alta dos impulsos isolados que o mercado viu nos meses anteriores. Mas o verão americano ainda reserva obstáculos macroeconômicos para o Bitcoin sustentar a recuperação.
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