Strategy não compra bitcoin na semana e dobra recompra do STRC
Strategy não compra bitcoin na semana e dobra recompra do STRC
A Strategy passou a semana sem tocar no bitcoin e destinou o caixa a outra frente. O 8-K protocolado na SEC nesta terça-feira registra que a empresa não comprou nem vendeu nenhum BTC entre 31 de agosto e 7 de setembro, enquanto recomprava 1,81 milhão de papéis do STRC, sua ação preferencial de taxa variável, por US$ 176,3 milhões. No mesmo documento, o conselho ampliou o programa de recompra desses títulos de US$ 1 bilhão para US$ 2 bilhões.
Nada de compra, nada de venda e nenhuma ação nova oferecida pelo programa de emissão contínua.
A posição permaneceu congelada em 845.050 bitcoins, o equivalente a cerca de 4% de toda a oferta do ativo. O custo agregado da reserva segue em US$ 63,73 bilhões, com preço médio de aquisição de aproximadamente US$ 75.412 por moeda, números confirmados pelo próprio relatório.
O detalhe da recompra mostra a calibragem fina. Os 1.810.885 papéis custaram US$ 176,3 milhões, média de US$ 97,36 por título, 2,6% abaixo do par de US$ 100. Tudo foi pago com caixa em dólar, sem venda de bitcoin.
As demais preferenciais e a ação comum ficaram de fora. Zero recompras em STRF, STRK, STRD e MSTR no período.
O motivo da prioridade está no desenho do STRC. O papel paga dividendo semimensal de US$ 0,50 por ação, hoje equivalente a 12% ao ano, e a administração informou no fim de agosto que recomendará manter essa taxa até o título negociar de forma sustentada perto dos US$ 100. A recompra é a ferramenta escolhida para convergir o preço ao alvo sem elevar o custo do capital, porque cada lote comprado reduz a oferta flutuante e aproxima a cotação do valor nominal.
O papel respondeu. Cotado a US$ 74,57 no fundo de junho, o STRC fechou a sexta-feira em US$ 97,75, alta de 31% em pouco mais de dois meses e a 2,3% do valor nominal. No mesmo intervalo, o bitcoin saiu de US$ 62,8 mil no início de agosto para perto de US$ 80 mil, mas a preferencial ganhou vida própria.
O giro que elevou a meta
A ampliação do programa aponta para continuidade. Restam US$ 1,19 bilhão disponíveis após as compras já feitas.
A folga para sustentar a estratégia existe. O relatório desta terça mostra uma reserva em dólar de US$ 5,10 bilhões, destinada aos dividendos das preferenciais e aos juros da dívida, e mais US$ 1,44 bilhão em caixa livre para fins gerais. Somados, os dois bolsões passam de US$ 6,5 bilhões e cobrem com folga os compromissos com as quatro séries de preferenciais da companhia.
A decisão de parar de comprar bitcoin contrasta com a semana anterior. Entre 24 e 30 de agosto a empresa havia adicionado 4.603 BTC a um preço médio de US$ 80.318, a primeira compra em dois meses.
No acumulado do ano, a tática mistura vender e comprar em janelas distintas. A empresa se desfaz de parte da reserva quando o preço recua e devolve dinheiro ao mercado quando ele sobe. Vendeu 3.588 BTC em julho, a primeira venda desde 2022, e voltou a acumular em agosto com o ativo já na faixa dos 80 mil dólares. Com o bitcoin agora em US$ 78,3 mil, a reserva vale US$ 66,2 bilhões, um lucro não realizado de US$ 2,4 bilhões sobre o custo histórico.
A estrutura que sustenta essa operação foi montada em junho. O framework de crédito digital reúne a política de reserva em dólar, a regra de reajuste do dividendo do STRC, os programas de recompra e uma autorização de até US$ 1,25 bilhão para monetização de bitcoin, guardada para o último caso.
Um crédito que carrega a reserva
O par de US$ 100 virou a trava. Enquanto o papel não estabilizar nesse nível, a empresa não consegue emitir novas unidades do STRC para financiar compras de bitcoin, que era o desenho original do instrumento. O dividendo de 12% já atrai críticos do mercado, que duvidam da demanda por novas emissões mesmo com o título de volta ao par. Nesta terça, o BTC Credit, indicador publicado pela própria empresa que acompanha o crédito do título respaldado em bitcoin, recuou um ponto-base na semana, para 53 pontos-base, sinal de que o risco precificado diminui na medida em que a cotação se aproxima do alvo.
A semana tem menos de bitcoin e mais de engenharia de capital. A Strategy demonstrou que consegue sustentar um crédito apoiado na maior reserva corporativa do ativo sem comprar uma única moeda, e o preço dessa prova é o espaço na fila de acumulação, hoje ocupado pelo STRC.
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