Bitcoin

Relatório Bitfinex vê três sinais de bear market avançado no bitcoin

A Bitfinex Alpha, publicação semanal de pesquisa da exchange, classificou o bitcoin como um ativo em estágio avançado de bear market no relatório divulgado em 17 de agosto. A leitura se apoia em três sinais que, segundo a publicação, aparecem juntos pela primeira vez desde 2019. Volatilidade comprimida, demanda enfraquecida e participação mínima, em um mercado que parou de decidir.

O mercado de bitcoin está no nível mais quieto em anos. Volume à vista e velocidade de circulação das moedas encolheram juntos, uma combinação que costuma aparecer perto da virada dos ciclos anteriores.

Os três sinais no gráfico e nos fluxos

O primeiro sinal é o mais visível no gráfico. O bitcoin passou quase um trimestre preso em um intervalo estreito, com a volatilidade se contraindo até o ponto em que os limites das tendências principais convergem. O volume à vista, ajustado pelo número de moedas negociadas, caiu aos menores níveis desde o início de 2019. A velocidade das transferências na rede, medida que mostra quantas vezes os bitcoins circulam entre carteiras, atingiu mínima de sete anos.

É o tipo de silêncio que antecede os grandes movimentos.

O segundo sinal está nos fluxos. Os fundos de bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos fecharam a semana com resgates de US$ 385 milhões líquidos entre 10 e 14 de agosto, o primeiro saldo negativo em três semanas, segundo a Farside, que monitora esses produtos no mercado americano. A Strategy, maior tesouraria corporativa do setor, vendeu 1.690 bitcoins na semana anterior, a terceira rodada consecutiva de desinvestimento. Os dois maiores compradores institucionais do mercado viraram vendedores ao mesmo tempo.

O terceiro sinal aparece nos preços realizados, métrica que marca o custo médio das moedas em circulação.

O bitcoin negocia entre o piso do bear market, de US$ 52,7 mil, e os US$ 67,2 mil que devolveriam a lucratividade aos compradores recentes. O nível de US$ 63,2 mil, o preço realizado mediano, segurou o preço por duas semanas seguidas. Abaixo dele, a próxima referência seria a mínima de junho, em US$ 57,8 mil.

A semana fechou com queda de 3,1%, a US$ 62,9 mil.

A combinação importa porque reúne as condições que a história associa a estágios finais de ciclo. Mercado fino, volume baixo e preço estagnado costumam preceder expansões violentas de volatilidade, com o preço andando muito em pouco tempo quando a compressão termina. A dúvida é para qual lado.

A alta depende da liquidez, não do Fed

A Bitfinex Alpha defende que a estrutura atual favorece a alta, se a demanda voltar. Parte dos elementos que sustentam ativos digitais já está posta. A inflação de julho saiu mais fraca, com o índice de preços ao consumidor em 3,4% no acumulado de doze meses, e a chance de alta de juros em setembro caiu para cerca de 30%. O Banco Central americano deixou de ser o nó da questão.

Falta o terceiro, a liquidez. A oferta de stablecoins, a medida mais direta de capital entrando no mercado, está em US$ 307 bilhões, segundo a plataforma DefiLlama, abaixo do pico de maio. Os ETFs voltaram a registrar saídas na mesma semana em que as ações americanas bateram recordes.

Enquanto o capital não chega à rede, o rali continua sem financiamento. Uma semana de entradas nos ETFs e a retomada do crescimento das stablecoins indicariam que a transmissão reconectou.

É o que falta para o bitcoin sair da compressão. Até lá, o cenário macro melhora, mas o preço espera.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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