Bitcoin

White hats devolvem 85% dos bitcoins retirados da Liquid

A federação da Liquid recuperou 3.400 bitcoins após uma falha no Elements. Cerca de 598,5 BTC permaneciam retidos, avaliados em aproximadamente US$ 47 milhões.

Como a falha permitiu a retirada dos bitcoins

Em 6 de setembro, cerca de 4.019,4 LBTC foram criados irregularmente por uma falha de inflação no Elements. Os tokens foram convertidos em bitcoin por um peg-out na SideSwap, usando a PAK. A operação retirou aproximadamente 4.000 BTC da carteira da federação, segundo a transação verificada na pesquisa.

A Liquid afirmou que a PAK e as demais chaves privadas não foram comprometidas. O foco ficou na falha de software, sem evidência de controle direto da carteira ou de roubo de credenciais de assinatura.

A origem do problema ficou associada à lógica do software e não ao roubo de chaves da infraestrutura de custódia. A distinção é relevante porque a carteira da federação mantinha aproximadamente 4.200 BTC antes da retirada, e cerca de 95% dos bitcoins sob custódia foram movimentados em uma única operação. A rede suspendeu novas transações enquanto a falha era investigada e corrigida.

Recuperação dos fundos e pausa da rede

A Blockstream aplicou um patch nos nós afetados da ponte em 7 de setembro. A Liquid permaneceu pausada durante as verificações técnicas, sem processar novas transações enquanto a correção era analisada.

A devolução de 3.400 BTC correspondeu a aproximadamente 85% do montante retirado e reduziu a perda efetiva. Os bitcoins recuperados retornaram à carteira da federação depois das tratativas entre os envolvidos. Essa proporção mostra que a maior parte dos ativos deixou de permanecer sob retenção.

Os 598,5 BTC não devolvidos eram avaliados em cerca de US$ 47 milhões. Esse saldo permanecia fora da carteira da federação quando a pesquisa foi concluída, e a restituição continuava em negociação.

A comunicação entre os envolvidos ocorreu dentro da própria rede Liquid. Mensagens foram registradas em campos OP_RETURN e combinadas com texto criptografado por PGP, permitindo a troca de informações sem depender de um canal público convencional. O uso desses registros deixou a negociação associada às próprias transações, ao mesmo tempo em que preservou o conteúdo das mensagens para os participantes autorizados.

Alguns participantes classificaram os responsáveis como white hats. O rótulo foi questionado porque os bitcoins foram retirados antes da devolução parcial. Charles Guillemet, diretor de tecnologia da Ledger, apontou a diferença entre essa classificação, a conduta dos envolvidos e a sequência da recuperação dos fundos.

A operação não exigiu acesso às chaves privadas da federação. A PAK também não foi comprometida. O defeito estava na criação de LBTC e na conversão para bitcoin.

O Elements é baseado no Bitcoin Core e integra a base técnica do ecossistema Liquid. A criação indevida de 4.019,4 LBTC alterou a relação esperada entre os tokens emitidos e os bitcoins mantidos como garantia pela federação.

A sequência da operação levou os bitcoins para fora da carteira federada por meio da SideSwap. A transação registrada no explorador de blocos confirmou o movimento e ajudou a estabelecer a relação entre a emissão irregular de LBTC e a retirada dos bitcoins. O registro também permitiu verificar que o deslocamento envolveu milhares de unidades, e não apenas uma retirada de teste ou uma transferência operacional de pequeno valor.

No momento da pesquisa, o bitcoin era negociado perto de US$ 78.571. A capitalização de mercado estava próxima de US$ 1,58 trilhão, referência usada para estimar em dólares os valores retirados e devolvidos.

A pausa da Liquid deixou a rede sem novas transações enquanto a Blockstream e os participantes avaliavam o patch. A retomada depende de verificações técnicas e de um novo comunicado sobre os nós da ponte e os procedimentos de emissão e retirada. Até essa etapa, a suspensão funciona como uma barreira operacional para evitar novas movimentações enquanto a correção é examinada.

O caso separou dois problemas que não são equivalentes. Não houve evidência de roubo de chaves privadas, mas uma falha de software permitiu criar LBTC acima do volume compatível com as reservas da federação.

A maior parte dos bitcoins foi recuperada, mas a devolução não encerrou o incidente. Os 598,5 BTC restantes continuavam sob negociação, e o funcionamento da Liquid permanecia suspenso até a conclusão das medidas de segurança. A recuperação parcial reduziu o prejuízo, mas não eliminou a necessidade de esclarecer o defeito e confirmar as condições para a retomada da rede.

A cronologia registrada começa com a emissão irregular de LBTC em 6 de setembro, passa pelo patch e pela pausa da rede em 7 de setembro e chega à devolução de 3.400 BTC em 8 de setembro. O saldo aproximado de US$ 47 milhões continuava como o principal ponto em aberto.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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