O Mercado Bitcoin reabre dia 9 para consulta e já prepara a compra dos ativos
Sete dias depois do ataque que esvaziou as carteiras quentes, o Mercado Bitcoin marcou para 9 de novembro a volta da plataforma. Na primeira etapa, o cliente entra pelo site e confere saldo, extrato, patrimônio e investimentos. Saques, transferências e negociações continuam suspensos, sem data definida.
A data resolve a parte visível do problema. O comunicado publicado na noite de quarta-feira trouxe a explicação que faltava sobre como os saldos serão honrados, e ela envolve compras no mercado. A corretora vai repor cada carteira afetada com recursos do próprio caixa e, para isso, sua mesa de operações se prepara para adquirir os ativos no mercado brasileiro e no internacional.
O que abre na segunda e o que segue fechado
Nesta fase, o acesso passa pelo navegador e se limita à leitura da conta. Transferências, saques e negociações voltam depois, conforme cada parte do sistema concluir as checagens de segurança.
Pela descrição da empresa, o ritmo segue o desenho do sistema. Negociação, custódia, depósitos e controle de saldos funcionam como um conjunto integrado, e cada frente do sistema e cada tipo de operação passam por testes que a companhia chama de exaustivos e independentes.
O valor bloqueado subiu e continua fora do caixa
Na noite do ataque, a corretora informou cerca de US$ 11 milhões já bloqueados. Na terça-feira, o número chegou a US$ 12,9 milhões. Na quarta, o comunicado passou a falar em mais de US$ 15 milhões, com apoio da Tether, da Circle, da Paxos, da BRL1 e da Chainalysis.
Segundo a empresa, o bloqueio impede o invasor de transferir ou liquidar qualquer parte desses ativos. O texto oficial não diz quando o valor volta ao caixa. Ativo congelado depende de um procedimento próprio para sair do endereço do invasor e, até lá, é a corretora que responde pelo saldo do cliente. A promessa de que ninguém sairia no prejuízo acompanha o caso desde terça-feira.
O custo da reposição depende do preço da compra
O total que a empresa usa para dimensionar o incidente é de cerca de US$ 49,2 milhões em ativos envolvidos, número que a própria corretora diz estar sujeito a atualização conforme a cotação. Já a dívida com o cliente está registrada em unidades de cada moeda. Para repor, a empresa precisa comprar bitcoin, ether, solana e o resto da lista no mercado, ao preço do dia.
Se as cotações subirem entre o ataque e a recompra, o custo em reais e em dólares sobe junto, e a diferença sai do caixa próprio. O comunicado não traz cronograma nem volume previsto para as compras.
A reposição também acompanha o calendário dos testes. O cliente só movimenta o saldo quando o serviço correspondente for liberado, segundo o texto oficial, então as compras podem ser feitas em etapas. Quando os saques voltarem, o saldo reposto precisa cobrir tudo o que estava registrado.
O tamanho da conta ainda está sendo medido
Empresas de análise chegaram a totais diferentes nas primeiras horas. A Arkham estimou US$ 46,3 milhões. Nesta quinta-feira, a Bitquery informou ter rastreado US$ 48,6 milhões em dez redes e apontou que endereços de depósito de clientes na Ethereum seguiram pagando o invasor das 12h27 às 16h56 em UTC do dia 2, enquanto a corretora havia declarado às 12h56 que o incidente estava contido. Cerca de 36 mil endereços aparecem nessa etapa, com US$ 266 mil em ativos.
O mesmo levantamento ligou o endereço do invasor a carteiras atribuídas à BitMart, com cerca de US$ 391 mil em perdas. Sheldon Xia, fundador da BitMart, confirmou o ataque do dia 2 e afirmou que a apuração preliminar aponta para o grupo responsável pelo Mercado Bitcoin. Os comunicados da corretora brasileira não mencionam o episódio.
O caixa que a empresa apresenta
Para sustentar a reposição, o Mercado Bitcoin cita um caixa sólido e um aporte recente de US$ 20 milhões feito pela Tether, que emite a maior moeda digital atrelada ao dólar. O comunicado diz que o dinheiro foi destinado à expansão operacional e que o aporte não responde a uma necessidade de liquidez criada pelo ataque.
A empresa também lista os investidores que entraram desde a fundação, entre eles SoftBank, GP Investimentos, Tribe Capital, 10T Holdings, Parallax Ventures e o Meli Fund, braço de investimentos do Mercado Livre. Segundo o comunicado, os aportes somam perto de US$ 300 milhões. Nenhum desses números mostra quanto do caixa está comprometido com a recompra.
Na segunda-feira, o site volta a abrir para consulta. Saques, transferências e negociações seguem esperando a liberação, e o comunicado não diz quando ela chega.
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