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DeFi Development amplia aposta em SOL com ações preferenciais de 13%

A DeFi Development Corp, companhia listada na Nasdaq com ticker DFDV, iniciou nesta semana um programa de venda de ações preferenciais CHAD que eleva para até US$ 300 milhões o valor total do papel em circulação. Formalizado em prospecto depositado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos em 11 de setembro, o programa não estabelece volume mínimo de captação e não obriga a empresa a vender lote algum.

A particularidade desse instrumento está no dividendo. A CHAD remunera o investidor com uma taxa inicial de 13% incidindo sobre o valor nominal de US$ 10 por ação, o que representa um pagamento anual de US$ 1,30 por papel. Caso as 30 milhões de ações sejam emitidas de uma vez e permaneçam em circulação por um período de doze meses sem alteração da taxa, o custo com dividendos alcançaria US$ 39 milhões, despesa recorrente que a empresa precisaria cobrir mesmo em períodos de menor receita.

Para executar as vendas, a DeFi Development contratou a corretora R.F. Lafferty, que receberá comissão de até 0,75% sobre o valor bruto arrecadado. O programa segue o modelo at the market, em que as ações são oferecidas gradualmente conforme as condições de demanda e preço, em vez de uma oferta única. Essa estrutura dá à companhia a possibilidade de calibrar a diluição do capital, mas também implica que não há, no momento, como prever quanto dinheiro realmente entrará nos cofres.

Esse detalhe merece destaque antes de qualquer narrativa sobre expansão bilionária. O prospecto deixa explícito que não existe garantia de venda de uma única cota. O montante de US$ 300 milhões representa um limite superior, não uma quantia assegurada.

O mecanismo que tenta domar o preço

Sob a estrutura de dividendos, opera um mecanismo incomum que confere ao conselho da DeFi Development poder quase absoluto sobre a cotação do papel. A intenção declarada é ajustar a taxa de dividendos, atualmente em 13% ao ano, com o objetivo de manter a CHAD negociada entre 9,95 e 11 dólares. Caso a cotação supere 11 dólares, o conselho sinaliza que pode cortar o rendimento para reduzir o interesse comprador. Caso caia abaixo de 9,95 dólares, o movimento oposto entraria em cena, com elevação do dividendo. Na prática, o preço deixa de ser definido exclusivamente pelas forças de mercado e passa a refletir decisões administrativas tomadas a cada mês.

A própria empresa admite, nos fatores de risco, que pode abandonar essa política a qualquer momento e sem aviso prévio aos cotistas.

Há uma assimetria nas regras de reajuste. O conselho pode elevar o dividendo sem limites, mas está impedido de reduzi-lo em mais de 0,50 ponto percentual por mês. Essa limitação restringe a velocidade de um corte, mas não impede que, após sucessivos meses de reduções, o rendimento atualmente prometido de 13% encolha até níveis consideravelmente mais baixos, sem que o investidor possua mecanismo de voto para reverter a decisão.

Um passivo que não é pequeno

A destinação dos recursos igualmente não segue critério rígido. O prospecto informa que uma parte do dinheiro captado será usada para adquirir SOL, mas o restante pode ser direcionado a capital de giro e outras iniciativas estratégicas, sem percentual mínimo obrigatório para o token. Isso difere da imagem simplificada de tesouraria voltada exclusivamente a Solana, narrativa que parte do mercado construiu. Na realidade, a administração possui liberdade para alocar boa parte do capital levantado em despesas operacionais, honorários profissionais ou até aquisições de outras empresas de tesouraria digital, sem prestar contas prévias aos acionistas sobre a divisão exata.

Enquanto estrutura a nova rodada, a empresa informou deter 2.388.923 SOL e equivalentes em 11 de setembro, um avanço de 55.491 unidades em comparação ao levantamento de 27 de agosto. O comunicado atribui o incremento tanto a aquisições diretas quanto à valorização dos ativos já sob custódia, sem detalhar quanto veio de cada fonte, e ressalta-se que essa variação não incorpora recursos do novo programa, que ainda não existia no intervalo analisado.

A nova rodada constitui a segunda tentativa da empresa com esse tipo de instrumento em menos de quinze dias.

Uma oferta inicial de CHAD foi concluída em 8 de setembro, precificada em US$ 8 por cota, tendo gerado cerca de US$ 11 milhões brutos, montante modesto diante do limite agora disponível. A diferença de preço merece nota. Enquanto aquela colocação ocorreu abaixo do valor declarado de US$ 10, a intenção para as novas emissões é comercializar as ações sempre na faixa entre 9,95 e 11 dólares, o que sugere condições de mercado mais favoráveis nesta oportunidade, ou um ajuste no dividendo para tentar sustentar o papel nesse patamar.

O passivo financeiro da companhia já é considerável. Em 30 de junho, a DeFi Development registrava aproximadamente US$ 215,8 milhões em dívida consolidada, que precede a CHAD na hierarquia de pagamento em caso de liquidação. Somem-se a isso opções, unidades restritas, notas conversíveis, warrants de investidores PIPE e um contrato de linha de crédito vinculado a ações que pode resultar em diluição de até 33,8 milhões de papéis adicionais, e o conjunto de obrigações potenciais expande-se bastante além do que a nova preferencial representa isoladamente.

A engenharia que se retroalimenta

É nesse cenário que a promessa de 13% ao ano adquire significado adicional. Trata-se de um instrumento perpétuo, sem data de vencimento e sem conversão em ações ordinárias, o que significa que a obrigação de pagamento, quando declarada pelo conselho, não se extingue com o tempo como ocorreria com um título de dívida tradicional. A empresa reserva o equivalente a doze meses de dividendos em conta segregada no fechamento da oferta, utilizando caixa, instrumentos financeiros ou ativos digitais, mas reconhece que, superado esse período inicial, pretende custear os pagamentos futuros por meio de novas captações, incluindo emissões adicionais da própria CHAD.

Em outras palavras, o dividendo de um ano poderá ser custeado, em parte, com os recursos captados no ano seguinte.

Essa estratégia não é privilégio da DeFi Development. Outras tesourarias corporativas ativas no mercado cripto lançam mão de papéis preferenciais de remuneração elevada para financiar a acumulação de tokens sem diluir imediatamente o capital ordinário, abordagem que replica, com adaptações, o modelo que Michael Saylor consolidou com bitcoin à frente da Strategy. O diferencial está na intensidade do rendimento ofertado e no nível de controle que a empresa retém sobre a cotação de seu próprio papel, característica que tende a ganhar mais espaço entre companhias que adotam esse formato para sustentar o interesse de investidores de perfil mais volátil.

O movimento da DeFi Development, portanto, não deve ser interpretado unicamente como um voto de confiança em Solana. Representa também um experimento sobre até que ponto o mercado se dispõe a remuneração elevada por um papel cujo comportamento de preços pode ser moldado, mês a mês, pela própria entidade que o emitiu. O desfecho dessa estratégia somente ficará claro quando as primeiras vendas dentro do novo limite de US$ 300 milhões forem concretizadas e o conselho tiver de decidir, pela primeira vez, se mantém, eleva ou reduz a taxa que sustenta toda a engenharia da oferta.

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