Nasdaq bate novo recorde com o S&P 500 a 0,4% do topo histórico
O Nasdaq Composite encerrou a terça-feira em 27.244,28 pontos, com alta de 0,45% e ganho de 122,18 pontos, depois de marcar 27.288,79 pontos na máxima do dia. O S&P 500 ficou praticamente estável, em 7.764,64 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 185,14 pontos, para 51.863,69. A distância entre os três índices resume o momento de Wall Street, em que a tecnologia sustenta a alta e os setores tradicionais perdem espaço.
A distância até o recorde de 7.798,99 pontos, registrado em 13 de agosto, é de 0,4%, e o índice ainda não conseguiu superar essa marca nas sessões seguintes.
O Nasdaq vinha de uma alta de 2,26% na segunda-feira, um avanço que o índice não registrava havia meses e que produziu o primeiro recorde de fechamento desde junho. Com o desempenho de terça, o índice acumula ganho de 17,22% em 2026, contra 13,43% do S&P 500. O volume negociado ficou em 7,88 bilhões de ações, abaixo da média recente. Entre as maiores altas do dia apareceram a Monolithic Power Systems, com 8,06%, a Shopify, com 7,12%, e a Micron, com 5%.
Tecnologia volta a comandar Wall Street
Os papéis de memória puxaram a alta do dia. A Micron Technology avançou 5%, seguida pela SanDisk, com quase 7%, e pela Seagate, com 4,85%.
A AMD passou a valer mais de US$ 1 trilhão na segunda-feira, quando a ação marcou US$ 613,92 no intradia. A fabricante se tornou a quarta do setor a alcançar a marca, depois de Nvidia, Broadcom e Micron. O papel acumula alta de 187% em 2026 e fechou a terça-feira em US$ 623,77. Os acordos de fornecimento de aceleradores para centros de dados explicam parte do movimento. OpenAI e Meta se comprometeram a instalar até 6 gigawatts de capacidade com equipamentos da companhia.
A SanDisk ganhou recomendação de compra da Rosenblatt, que fixou alvo de US$ 2.400, cerca de 35% acima do fechamento de segunda-feira, de US$ 1.766,64.
O mercado atravessou duas correções antes da retomada. Entre o topo de 2 de junho e o fundo de 29 de julho, o Nasdaq Composite caiu 9,8% e o Nasdaq 100 recuou 11,3%. Em setembro, a nova onda de vendas levou o índice a 25.978,43 pontos no dia 16, em meio ao debate sobre segurança em inteligência artificial e retorno dos investimentos em infraestrutura.
Em três sessões, o Nasdaq subiu 4,9% e apagou as perdas acumuladas no mês. O avanço de segunda-feira, de 2,26%, foi o mais forte em meses.
A Meta lançou em 8 de setembro o Muse, agente de inteligência artificial que executa tarefas em nome do usuário. A lista inclui reservar viagens, concluir compras e enviar e-mails. A ação da companhia subiu 11,3% na segunda-feira, a maior alta em um dia desde abril de 2024, e acumula avanço superior a 20% desde o lançamento, com US$ 200 bilhões adicionados ao valor de mercado. O JPMorgan vê espaço para o Muse se tornar o aplicativo de inteligência artificial mais usado por consumidores desde o ChatGPT.
Petróleo e juros continuam no radar
O Brent chegou a ser cotado abaixo de US$ 98 o barril na terça antes de recuperar parte das perdas e encerrar a US$ 99,25, com baixa de 1,09%. O WTI recuou 1,24%, a US$ 94,59.
O petróleo caiu pela quinta sessão consecutiva, a série negativa mais longa de 2026. O movimento ganhou força com a retomada do oleoduto East West, fechado em 13 de setembro após ataques com drones às estações de bombeamento. A rota leva o petróleo até Yanbu, no litoral do Mar Vermelho, como alternativa ao Estreito de Ormuz. O Irã sinalizou que pode reabrir o estreito em sete dias caso Washington diminua a pressão sobre Teerã. Enviados das duas partes se encontraram por três horas na terça-feira, em Nova York.
A capacidade do oleoduto é de 7 milhões de barris por dia, e a rota permite desviar do Estreito de Ormuz cerca de 4 milhões de barris diários, o equivalente a 4% da oferta mundial.
O alívio no petróleo ameniza a pressão inflacionária, mas os juros caminham no sentido oposto. O Federal Reserve elevou a taxa básica em 25 pontos-base no dia 16, para 3,75% a 4,00%. Foi o primeiro aumento desde julho de 2023 e teve votação unânime. O Treasury de dez anos operou perto de 4,95% na terça-feira, depois de tocar 5,04% na semana anterior, no maior nível desde 2007. O mercado passou a atribuir mais de 50% de chance a uma nova alta de 25 pontos-base na reunião de 27 e 28 de outubro.
Dados do CME FedWatch apontavam 53% de probabilidade para a alta de outubro. O rendimento do Treasury de dois anos chegou ao maior nível em dois anos.
Goldman Sachs e Bank of America revisaram as projeções e passaram a esperar o aumento. Juros mais altos pressionam as ações de tecnologia, cujas avaliações dependem de lucros projetados para vários anos à frente. O S&P 500 negocia a menos de 19 vezes os lucros esperados, o menor patamar desde 2023.
S&P 500 acompanha a recuperação
Na segunda-feira, o Nasdaq subiu 2,26%, o S&P 500 avançou 1,49% e o Dow Jones ganhou 366 pontos, em uma sessão puxada pela queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries.
A recuperação não chegou a todos os setores. Enquanto o Nasdaq renovava o recorde, o Dow Jones caía e o índice de ações financeiras do S&P 500 recuava 2%, no pior nível desde julho. A leitura é que agentes capazes de comparar preços e trocar fornecedores corroem a receita de quem vive da inércia do consumidor. O Charles Schwab caiu mais de 6%, a Allstate perdeu 5,5%, a Planet Fitness recuou 9,5% e a Booking Holdings, 2,55%. Uma cesta do Goldman Sachs com essas empresas caiu 2,6%, a pior sessão desde fevereiro.
O varejo ficou fora dessa pressão. A Shopify subiu 7,12% na terça-feira, depois de fechar uma parceria para levar o Shop Pay ao agente da Meta. O Muse foi bloqueado pela Amazon em seu site.
Mercado entra em nova sessão próximo das máximas
Os futuros dos índices americanos operavam próximos da estabilidade na quarta-feira, com o petróleo abaixo da marca de US$ 100 e os juros em leve alta. O foco está na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para quinta-feira em Washington. É a primeira visita de Estado do presidente chinês aos Estados Unidos em 11 anos, e a pauta inclui comércio, terras raras, inteligência artificial e a guerra com o Irã.
O Nasdaq está em território recorde, e o S&P 500 precisa de uma participação maior de setores além da tecnologia para superar a marca de agosto. Se o petróleo continuar recuando, parte da pressão inflacionária diminui. Se energia e juros subirem juntos, a proximidade das máximas volta a ser testada.
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