Um pregão de US$ 999 milhões sustenta a semana dos fundos de bitcoin
Os fundos de bitcoin negociados à vista em bolsa nos Estados Unidos passaram sete pregões seguidos sem registrar uma única saída líquida de qualquer tipo ao longo de toda a série.
As compras de 17 a 25 de setembro somaram quase US$ 3 bilhões, e o saldo de 2026, negativo desde o começo de julho, voltou ao campo positivo. Situação que não via desde maio. A virada não foi gradual, e o pico de dinheiro caiu no primeiro dia da semana.
O ponto de partida está nos dias 15 e 16 do mês, quando os produtos perderam US$ 450,4 milhões e US$ 295,9 milhões. As duas saídas somaram US$ 746,3 milhões e vieram logo depois da recusa do Senado em avançar o projeto de lei que reorganiza o mercado de ativos digitais, movimento que derrubou o bitcoin abaixo de US$ 75 mil.
A semana anterior terminava praticamente no zero, com US$ 6,2 milhões de entrada líquida, porque aquelas duas saídas quase apagaram as compras dos outros pregões.
Um pregão sustenta a semana
Dos US$ 2,39 bilhões da semana, US$ 999 milhões chegaram em um único dia, segunda-feira, 21. Foi a maior entrada diária desde outubro do ano passado e a nona maior desde a estreia dos produtos, no começo de 2024. Naquele pregão o bitcoin passou de US$ 87,1 mil, e o preço médio pago pelo investidor de ETF, estimado em US$ 81,722, ficou para trás da cotação, evento que não ocorria desde janeiro, o que devolveu lucro ao comprador médio depois de meses de posicionamento defensivo.
A entrada ficou concentrada em três produtos, que responderam por 91% do total, e o fundo do Morgan Stanley somou US$ 61,7 milhões. Foi a maior entrada em um pregão desde que os produtos passaram a receber recursos de assessores.
O IBIT, da BlackRock, captou US$ 381,4 milhões, e o FBTC, da Fidelity, recebeu US$ 238,8 milhões.
O ARKB, da Ark Invest e 21Shares, é o que destoa do restante. Com US$ 289,1 milhões em um único pregão, a Ark e a 21Shares ultrapassaram um quinto de tudo que o fundo acumulou desde o lançamento, o que aponta para um punhado de alocadores grandes em vez de demanda espalhada entre vários investidores. Na terça-feira, 22, quando a entrada total caiu para US$ 714,7 milhões, o ARKB recebeu US$ 600 mil, e o Morgan Stanley ficou com US$ 99 milhões.
A desaceleração no fim da semana
A semana perdeu o ritmo. Quarta-feira, 23, terminou com US$ 346,9 milhões. Quinta, 24, com US$ 190,7 milhões. Sexta, com US$ 134,5 milhões.
As três sessões fecharam no positivo, e o encurtamento veio sem venda de peso fora do BITB, da Bitwise. O único fundo a registrar saída na semana inteira foi ele, US$ 11,85 milhões sexta-feira, e o WisdomTree perdeu US$ 4 milhões na quinta. A queda de segunda para sexta-feira foi de 86%, o que coloca em perspectiva a força do número que abriu a semana.
Na sexta-feira o IBIT recebeu US$ 96,99 milhões e o FBTC, US$ 49,32 milhões, e os demais fundos da lista ficaram parados.

No balanço dos cinco pregões, a BlackRock ficou com US$ 1,16 bilhão, o segundo melhor resultado semanal desde o outubro do ano passado. O Morgan Stanley, que debutou em abril, somou US$ 203,3 milhões, quase todos concentrados no dia 22, quando a Fidelity ficou com US$ 12,9 milhões contra os US$ 162,6 milhões da BlackRock.
A Fidelity alcançou US$ 701,7 milhões, resultado que não via desde setembro do ano passado, e a Ark e 21Shares somou US$ 294,7 milhões, dos quais US$ 289,1 milhões vieram só de segunda-feira.
O saldo de 2026 volta ao positivo
O efeito agregado aparece no balanço do ano. Os ETFs fecharam 24 de setembro com US$ 886,8 milhões de entrada líquida em 2026, contra um déficit de 5,69 bilhões no pior momento do ano, em 13 de julho. Em 22 de setembro o saldo virou, algo que não ocorria desde 26 de maio, e o caminho até lá foi silencioso, com o esforço concentrado nas duas últimas semanas do mês, depois de um agosto em que as voltaram a superar as retiradas.
Desde a estreia das negociações, no começo de 2024, os produtos somam entradas líquidas próximas de US$ 57,5 bilhões, valor que já foi maior no pico de outubro do ano passado.
O IBIT sozinho responde por US$ 65,28 bilhões recebidos, número que as saídas acumuladas do GBTC, da Grayscale, reduzem em US$ 27,84 bilhões. Os doze fundos fecharam a sexta-feira com US$ 108,42 bilhões em carteira, 6,43% do valor de mercado do bitcoin, e a moeda terminou o dia perto de US$ 84 mil, com alta de 4% na semana, movimento que seguiu caminho diferente ao da entrada de capital.
Em 2024 os ETFs captaram US$ 35,25 bilhões e em 2025, US$ 21,35 bilhões. O saldo de 2026, ainda abaixo do bilhão, está longe dos dois. A virada foi construída por sete pregões que somaram quase US$ 3 bilhões, dos quais US$ 999 milhões vieram de um único dia.
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