Segurança

Whitehat resgata 23.155 NFTs e não recupera 660 WETH

Um contrato de liquidação de NFTs, e não um servidor nem uma carteira, é o que ficou exposto na Limit Break. O Payment Processor V2, protocolo criado para liquidar operações em redes da família Ethereum e adotado pela Magic Eden em 2024, tinha uma falha que fazia o processador tratar qualquer carteira como contraparte de um trade sem que a carteira assinasse nada. O uso da versão foi abandonado em outubro de 2024, e o marketplace EVM da casa foi encerrado no primeiro trimestre de 2026. Nada em exibição na Magic Eden foi atingido, e a exposição vem de trades antigos, não de operação corrente.

A primeira ocorrência documentada do abuso saiu às 10h no horário de Brasília do dia 25 de setembro, com dez Meebits, cinquenta Otherdeeds, dez World of Women e 235 Desperate ApeWives, somando 305 NFTs em cerca de três transações, e quase treze horas se passaram até o relato ao pesquisador que conduziu a resposta.

A falha que tratava qualquer carteira como contraparte

Nenhum dos seletores de pausa testados aparece no bytecode implantado, o que confirma que a V2 nunca teve esse mecanismo de bloqueio.

O contrato segue no endereço 0x9A1D00bEd7CD04BCDA516d721A596eb22Aac6834, com 63.126 transações registradas e o rótulo conferido no explorador. O código implantado devolveu 21.004 caracteres de bytecode em hexadecimal no bloco 26058164, e dentro dele não resta ETH nenhum. A consulta foi feita em 26 de setembro de 2026, e o código responde como executável e imutável na rede principal.

A V2 nunca teve botão de emergência

A V3, com a mesma falha, foi efetivamente pausada pela Limit Break, enquanto a V3 na ApeChain ficou temporariamente sem essa possibilidade de pausa.

Já a V2 nunca teve esse mecanismo. Sem função de pausa naquele contrato, o bloqueio de emergência ficou fora de questão, e a única saída foi a operação de resgate. Dela saem todos os números de retomada e de perda que circulam sobre o incidente, atribuídos ao operador que a conduziu.

O resgate em números, 23.155, 16.429 e 660 WETH

A contagem feita na Ethereum registra 16.429 transferências de NFT, número menor que o declarado e sem fechamento da diferença entre as duas cifras.

Essas transferências vieram de 2.673 carteiras de origem distintas e de 493 contratos de coleção diferentes, o que confirma a natureza massiva do resgate e afasta a hipótese de um ataque mirado em poucas carteiras grandes do marketplace.

A primeira entrada da varredura apareceu no bloco 26052469, às 02h46, e a última no bloco 26054643, às 10h03, ambas na mesma manhã de setembro.

A operação durou sete horas e poucos minutos, e pagou o próprio gas com 1,0289 ETH do saldo da carteira de custódia, que terminou com saldo zero em WETH. O contrato abandonado seguiu respondendo a chamadas na rede principal durante todo o resgate, e tudo o que foi para a carteira 0x71cF3f5724bD2B72Ef6464992aCd26216DE7fe33 volta para os donos assim que cada detentor revoga as aprovações, o que ainda não aconteceu para a maioria dos detentores.

Nenhum detentor de NFT ficou no prejuízo. A exposição ficou no WETH de quem havia aprovado o token na ApeChain, segundo o operador do resgate.

O mesmo operador declarou que 660 WETH estavam em jogo e não foram recuperados a tempo, avaliados por ele em cerca de US$ 1,7 milhão, e afirmou que a mesma falha, usada ao contrário, permitiria levar WETH de quem aprovou o token. Na cotação usada para verificação, ETH a US$ 2.688,86, o volume valeria perto de US$ 1,77 milhão, e o preço do ativo não reagiu ao evento nas 24 horas seguintes ao abuso relatado.

A diferença de 6.726 itens entre as duas contagens segue sem fechamento, com parte possivelmente resgatada na ApeChain e parte vinda em lotes agrupados que a varredura de eventos não separa, e nenhuma das hipóteses foi confirmada.

O que cada detentor precisa fazer agora

A correção continua sendo revogação, e ela depende apenas da carteira de cada detentor, sem ajuda do protocolo já desativado. São três redes para a V2, Ethereum, Polygon e Base, e uma para a V3, a ApeChain, com a Revoke.cash indicada. Cancelar listagem ou rotacionar o nonce do marketplace não remove a concessão registrada na cadeia.

O contrato V2 segue ativo e sem pausa, a Limit Break não publicou análise técnica do incidente, e os 660 WETH declarados como perdidos não voltaram.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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