Macro

O núcleo do PCE veio abaixo do consenso e a série anual foi reescrita

O índice cheio avançou 0,3% no mês e acumula 3,4% em doze meses, contra uma meta de 2,0%. O núcleo subiu 0,2% no mesmo intervalo, abaixo dos 0,3% da mediana de Wall Street. Em julho, na série já revisada, o mesmo núcleo tinha ficado em 0,1%.

Os gastos com consumo subiram US$ 190,8 bilhões em agosto, alta de 0,9% sobre julho, e US$ 92,8 bilhões em termos reais, descontando a variação dos preços. A diferença entre as duas cifras é a inflação já embutida na despesa do consumidor, e o que sobra depois dela é o volume de mercadoria e serviço efetivamente comprado.

Em ritmo real o consumo avançou 0,6%, o maior avanço em mais de um ano. Nenhum mês do ano teve ganho de volume maior que esse.

Bens responderam por US$ 114,1 bilhões do avanço nominal e serviços por US$ 76,7 bilhões. Entre os bens, os outros bens não duráveis somaram US$ 24,7 bilhões, a gasolina e outros bens de energia US$ 20,9 bilhões e os veículos e peças US$ 20,1 bilhões. Entre os serviços, os de alimentação e acomodação acrescentaram US$ 20,6 bilhões, e os de lazer recuaram US$ 10,3 bilhões, a única categoria do conjunto a fechar o mês no vermelho.

A renda pessoal ganhou US$ 66,6 bilhões e a renda disponível subiu US$ 68,6 bilhões, diferença que vem dos impostos correntes do consumidor, que subtraem da renda pessoal. Descontada a inflação, a renda disponível ficou parada no mês, contra 0,3% de avanço em julho.

A taxa de poupança ficou em 4,1%, a menor desde setembro de 2004, com US$ 990,2 bilhões acumulados contra 4,6% em julho. No mês a poupança caiu US$ 122,1 bilhões.

O que o mercado já esperava

Na leitura do CME FedWatch feita às 7h de Washington, hora e meia antes da divulgação das 8h30, a chance de alta na reunião de outubro era de 42,6%, e a de manutenção da taxa, de 57,4%. A decisão vem em 28 de outubro, depois de uma reunião de dois dias.

É o menor dos três números da ferramenta. Sete dias antes a mesma ferramenta dava 70,9% para a alta, e um dia antes 49,1%. Nenhuma das duas incorporava o número que sairia hora e meia depois.

No dia 16 de setembro o Fed já tinha subido a taxa em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00%, por voto unanime dos 12 participantes, na gestão de Kevin Warsh, presidente desde maio. A tabela de alvos do banco não registrava alta desde 27 de julho de 2023. Das 18 projeções apresentadas naquela ocasião, dezesseis esperavam pelo menos mais um aperto ainda no fim do ano.

Dois índices e a revisão anual

Em agosto o CPI subiu 0,4% no mês e o núcleo acumula 2,4% em doze meses. Os dois índices medem a mesma família de preços e chegam a leituras diferentes, porque o PCE dá peso diferente a cada categoria, com menos peso para o que o consumidor escolhe com frequência.

A atualização anual das Contas Nacionais veio no mesmo relatório e reescreve a série desde janeiro de 2021. Na série revisada, o núcleo anual aparece em 3,0% nos dois últimos meses, enquanto a versão publicada em julho ainda trazia 3,3% para o mesmo mês. A revisão também rebaixou a leitura de todos os meses já publicados em 2026, entre dois e três décimos de ponto percentual.

As mudanças ficaram em três deflatores de consumo, os de gestão de portfólio, serviços jurídicos e software. A BEA qualifica de pequenas as revisões de preço no período de 2021 a 2025, e o ajuste maior está fora desse intervalo.

A próxima leitura do PCE sai em 29 de outubro, um dia depois da decisão do Fed, e é a primeira com a série já revisada. A reunião de outubro não traz novas projeções de juros.

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