Google entregou seu modelo mais perigoso de segurança a quem sabe usá-lo, e travou o resto
Google apresentou nesta quarta-feira o modelo de inteligência artificial mais forte já produzido na área de segurança cibernética, e o entregou primeiro a quem protege sistemas. Não a quem ataca.
O modelo se chama Gemini 4 Argon. Ele encontra falhas em programas por conta própria, confere se a falha é real e corrige o código. Nos testes da própria empresa, empatou com o primeiro lugar, com 68 %, numa avaliação que mede justamente a capacidade de corrigir vulnerabilidades.
Quem recebeu o Argon até agora é um grupo seleto de defensores de segurança, pelo programa Fairwind, e as próprias equipes do Google. Para esses usuários, o modelo sai sem as travas que normalmente impedem uma inteligência artificial de ajudar com invasões.
Para o resto do mundo ainda não dá para usar. E o detalhe mais revelador do anúncio é outro, o preço chegou antes do produto.
O preço anunciado e o produto travado
Enquanto o Argon está restrito a um punhado de especialistas, a Google já anunciou quanto vai custar. Na fase de lançamento, a empresa cobra 2 dólares para cada milhão de palavras que entram no modelo e 10 dólares para cada milhão de palavras que saem. Depois, o preço dobra.
É metade do que a Anthropic cobra pelo Claude, e cerca de um quinto do preço do GPT-6 Astra.
Quem assina o plano Ultra do Google ou tem conta paga na API entra na fila logo depois. Para as empresas e para o consumidor comum, a empresa não deu nenhuma data.
A incoerência das travas
O que chama atenção é o desenho do anúncio. O Argon é entregue sem proteção para quem trabalha defendendo sistemas. Em paralelo, a Google diz estar testando a resistência do modelo e usando equipes externas e internas para tentar quebrá-lo antes de liberar o resto.
O programa Fairwind não é uma fila de acesso. É um programa restrito, com parceiros aprovados individualmente. O Google também se voluntariou num programa do governo americano que dá acesso antecipado a modelos ainda não liberados, o mecanismo criado depois das pressões sobre segurança de inteligência artificial.
Segundo o Google, um sistema acompanha o que o modelo pensa e trava a execução se ele tentar ir além do pedido. A empresa diz que deixar esse raciocínio visível ajuda a diagnosticar falhas de alinhamento.
A falha que o modelo encontrou
A primeira prova de serviço real veio da Wiz, empresa de segurança que usa o Argon em um programa de proteção de infraestrutura de saúde. O modelo encontrou uma falha crítica que expunha dados pessoais de pacientes em programas usados por hospitais em vários países.
Segundo a Google, os modelos anteriores não tinham encontrado essa falha.
O resto do anúncio
O Argon também foi treinado para programação e para trabalho de escritório. A partir de agora o modelo pode responder numa tacada só, sem ser interrompido no meio de uma tarefa longa. Antes, esse teto era de 64 mil.
Dentro do Google, o modelo teria ajudado a otimizar código de computação quântica em 40 % sobre a base publicada, a liberar mais de 300 terabytes de memória nos centros de processamento da empresa, e a reescrever o decodificador de vídeo em uma linguagem mais segura, com velocidade 2,7 vezes maior. Numa avaliação de engenharia de software, teria feito 77,9 %, o melhor resultado segundo a empresa.
Todos esses números são da Google, medidos pela Google. O anúncio não traz auditoria independente nem comparação feita por terceiros.
O Google diz que os defensores que recebem o Argon sem trava vão testar se a confiança se sustenta. O resultado disso é o que vai definir quando o modelo chega ao resto, e a empresa não disse quando.
⚠️ Aviso importante
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