66% conhecem as stablecoins, e 6% sabem explicar como elas funcionam
A Visa divulgou na segunda-feira (5) uma pesquisa feita na Ásia-Pacífico sobre a relação dos consumidores com as stablecoins, as moedas digitais que buscam manter um preço estável. O retrato que sai dela é de um interesse bem à frente do uso. Cerca de 46% dos entrevistados dizem que devem passar a usar stablecoins ao longo dos próximos cinco anos. Quem usou de fato no último ano soma 16%.
A maioria já ouviu falar do assunto. 66% afirmam conhecer o produto, e a pesquisa trata esse patamar como conhecimento disseminado na região.
Só 6% mostraram saber com precisão como uma stablecoin funciona.
O interesse aponta para usos do dia a dia. Pagar compras pela internet, gastar em viagens e comprar fora do país aparecem à frente da ideia de investimento. Para 49% dos entrevistados, as stablecoins podem se tornar a via mais usada para enviar dinheiro entre países. O horizonte da pesquisa é de cinco anos, e o uso apontado liga as stablecoins às remessas e às transferências internacionais.
Entre os que já ouviram falar das stablecoins e nunca as usaram, 38% dizem que temem fraude ou golpe, e 36% apontam a falta de entendimento. As ideias erradas também pesam. Para 41%, as stablecoins sempre se valorizam.
Já 49% dos que conhecem o produto acham que a única função dele é comprar e vender outros ativos digitais.
O mapa de quem conhece e quem pretende usar
O conhecimento está concentrado em três mercados. Hong Kong aparece com 84%, a Índia com 80% e a Tailândia com 77%. A intenção desenha outra curva. Vietnã e Índia, com 67% cada um, lideram a lista de quem pretende usar as stablecoins nesse intervalo.
A Índia é o único mercado que aparece no topo das duas listas.
O que a rede de pagamentos faz com isso
A Visa tem interesse direto no avanço desse mercado. A empresa diz que atua ao lado de bancos, empresas de pagamento e instituições financeiras reguladas para colocar as stablecoins dentro dos meios de pagamento que o consumidor já usa, e cita como peça da estratégia a Visa Stablecoin Platform, usada por clientes para gerir, emitir e movimentar esses ativos.
Para Nischint Sanghavi, que chefia, na Visa, a área de moedas digitais para a Ásia-Pacífico, o consumidor da região passou a enxergar as stablecoins como parte do que já faz, entre compras pela internet, viagens e envios para o exterior.
A leitura da empresa é que o interesse se converte em uso quando as stablecoins chegam dentro dos pagamentos que a pessoa já conhece.
Em quem o consumidor confiaria
Na hora de escolher quem ofereceria o produto, os entrevistados colocaram no topo os órgãos públicos ou vinculados a bancos centrais, com 27%, seguidos pelos bancos e pelas financeiras reguladas, com 26%.
A amostra reúne 14.250 pessoas em 14 mercados, com idades de 18 a 65 anos, entre eles China continental, Japão, Índia, Austrália e Vietnã. O campo foi feito ao longo de junho e julho deste ano, e a janela de cinco anos que o estudo mede termina em 2031. O comunicado não detalha o que os 16% fizeram com as stablecoins no período, se pagamento, transferência ou negociação.
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