A MEXC deu data para sair da França, e o custodiante do dinheiro que sobrar segue sem nome
Quem tem conta na MEXC e mora na França ganhou um calendário. O primeiro grupo de clientes entra em modo de redução em 18 de novembro e perde o direito de abrir posição nova. Já o último entra em 22 de janeiro de 2027. Depois disso, resta sacar, e sacar também tem data para acabar.
A divisão em quatro lotes saiu no aviso que a exchange publicou em 28 de outubro. O primeiro grupo tem até 17 de novembro para se preparar, o segundo até 9 de dezembro, o terceiro até 30 de dezembro e o quarto até 21 de janeiro. No dia seguinte ao prazo de cada lote, a conta perde parte das funções. Depósito, compra no mercado à vista, assinatura de produto de rendimento, empréstimo e qualquer ordem que abra ou aumente posição ficam bloqueados. Continuam liberados o ajuste de margem, o fechamento ou a redução de posição, a quitação de empréstimo e o saque.
Uma data vale para todo mundo, qualquer que seja o lote. Em 22 de janeiro de 2027, à meia-noite de Paris, que no Brasil é 20h do dia 21, toda posição ainda aberta é encerrada automaticamente pela exchange pelo preço que ela define como justo, e o saldo restante é liquidado conforme a liquidez disponível e as condições do mercado. Para o quarto grupo, o prazo de preparação termina no mesmo instante em que as posições abertas são fechadas. Pelo calendário publicado, esses clientes não têm uma fase em que a conta apenas reduz posições. Ela entra em modo de redução e é liquidada na mesma hora, e o preço dessa liquidação é o que o mercado estiver pagando quando o relógio virar.
Três dias depois, em 25 de janeiro, todas as contas passam a funcionar apenas para saque. Em 5 de março de 2027 o saque fecha. O que restar vai para um custodiante regulado, e a MEXC diz que vai publicar um aviso separado para explicar quem é esse custodiante e como cada produto será tratado. Até agora, esse aviso não saiu.
Cadastro novo de cliente na França já está fechado desde 28 de outubro. Quem tinha recompensa de campanha anterior a essa data mantém o direito, mesmo que o pagamento caia depois, mas a partir dela nenhum cliente francês entra ou continua em evento da plataforma.
Por que a França
O motivo está documentado. Em 4 de junho de 2024, a AMF, autoridade que regula o mercado financeiro francês, incluiu o site www.mexc.com na lista negra de criptoativos por oferecer serviços financeiros no país sem a autorização exigida. A página segue no ar, e a MEXC aparece nela ao lado de outras exchanges, entre elas a Coinex e a Pionex. Registro na França é exigência para custodiar, comprar e vender, intermediar ou operar plataforma de negociação de criptoativos, e a Europa passou a pedir autorização equivalente sob o MiCA. Alinhamento regulatório é como a empresa descreve a saída.
A França é a quarta saída anunciada em pouco mais de um mês. Em 29 de setembro, a MEXC comunicou o encerramento para clientes dos Países Baixos. O processo seguiu o mesmo desenho de quatro grupos. Ao último cabia agir até 23 de outubro, as restrições começaram no dia seguinte e a saída terminou em 31 de outubro. O comunicado neerlandês indicava Bybit EU e Kraken como destinos sugeridos e repetia a mesma frase sobre o dinheiro que sobra, que iria para um custodiante regulado ainda sem nome.
Em 20 de outubro veio o anúncio sobre Rússia e Bielorrússia. Nesse caso a MEXC não publicou calendário, não informou o número de contas afetadas e não citou órgão regulador nem medida de sanção. Quem for afetado recebe as datas pelo e-mail cadastrado, e quem não recebeu aviso continua com acesso normal, segundo a empresa.
Sair não é migrar
A MEXC oferece indicação para plataformas reguladas na União Europeia, e o próprio aviso diz que a conta e os ativos não são transferidos de forma automática. O cliente precisa abrir conta no destino, passar pelo cadastro e pela verificação da outra empresa e mandar o dinheiro antes do prazo. Cada etapa depende da plataforma escolhida, e a MEXC não responde por ela.
O aviso também define quem entra na lista pelo cadastro. A mudança alcança quem foi identificado como ligado à França a partir das informações do cadastro e da conta. Quem acredita que deveria ter recebido e-mail e não recebeu tem de procurar o atendimento, e a empresa pede para checar a caixa de spam. Uma ressalva do texto merece leitura literal. Pedir revisão não pausa nem estende o prazo, a menos que a empresa diga o contrário. O calendário segue correndo enquanto a dúvida é analisada.
Do outro lado, a expansão continua. A exchange mantém a oferta de ações dos Estados Unidos e de futuros de índices, a mesma aposta em ações que apresentou em agosto, agora sob o comando de Vugar Usi Zade, que assumiu o cargo de CEO em abril com a promessa de transformar a plataforma em porta de entrada para vários tipos de ativo. São cerca de 40 milhões de usuários, segundo a empresa.
O que falta é o nome. Até o aviso sobre o custodiante sair, ninguém fora da empresa sabe quem vai guardar os criptoativos de quem deixar a conta parada até 5 de março, se haverá taxa para retirar depois e quanto tempo leva para reaver o que ficou lá.
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