Mercado Crypto

Cripto sobe com juro no topo desde 2002 e Tom Lee vê alívio à frente

Tom Lee, um dos nomes mais ouvidos de Wall Street, comanda a estratégia da Fundstrat e preside a BitMine. Na segunda-feira, 5 de outubro, ele disse que a alta simultânea do cripto e da tecnologia na bolsa é um recado sobre os juros dos Estados Unidos.

Na leitura dele, esses ativos não subiriam tanto se o dinheiro continuasse caro. O mercado estaria antecipando condições mais folgadas adiante.

O ponto de partida dele é um contraste. O juro do papel de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos bateu 5,31% no começo desta semana, o maior nível desde 2002, e o mercado passou meses apostando em um Federal Reserve duro, com três altas de juros no radar e 75% de chance de uma delas já em outubro. Mesmo nesse ambiente, o bitcoin acumula ganho de cerca de 32% nos últimos dois meses.

O que sustenta a projeção para os juros

Tom Lee trabalha com a virada desse quadro ao longo do próximo semestre. Os fatores pontuais que pressionaram a inflação estariam se esgotando, e o relatório de emprego mais fraco da semana passada teria reduzido a chance de o Fed manter o tom agressivo.

A aposta dele é o juro de dez anos ficar abaixo de 5% em até seis meses, quando a incerteza sobre a inflação ceder.

Para ele, um nível abaixo de 5% viraria, para o mercado, um sinal muito positivo para o risco, já que juros menores abrem espaço para os ativos de maior risco.

Nas ações, a projeção é de S&P 500 entre 8.200 e 8.400 pontos em dezembro, cerca de 9% acima do nível atual, perto de 7.815 pontos. O argumento é que o lucro das empresas subiu mais que os preços, e o índice não ficou mais caro no ano. A estimativa dele é de avanço de quase 30% no lucro do terceiro trimestre.

As metas para o bitcoin e o ether

No cripto, a aposta é mais direta. Tom Lee sustenta que o bitcoin está formando o piso de um movimento que se repete a cada quatro anos, e projeta a moeda terminando dezembro acima dos US$ 100 mil.

O ether, na visão dele, deve voltar à máxima anterior, que ficou logo abaixo de US$ 5 mil. Os preços desta terça-feira mostram a distância. O bitcoin é negociado perto de US$ 86,2 mil, cerca de 32% abaixo do recorde de US$ 126 mil registrado há um ano, e o ether opera na casa dos US$ 2,7 mil, com recorde de US$ 4.946 em agosto do ano passado.

A alta recente sustenta parte do argumento. Nos últimos 60 dias, o bitcoin subiu mais de 30%, e o ether avançou perto de 9% em 30 dias.

O comportamento do cripto no terceiro trimestre entra na leitura dele como sinal antecipado para a bolsa. Ele lembra que o bitcoin costuma se mover antes dos índices, com o restante do setor atrás. A força registrada entre julho e setembro apontaria para um quarto trimestre forte nas ações.

O que pode atrapalhar

Ele também trabalha com a chance de uma correção nas ações a partir da segunda metade de outubro, antes da votação legislativa de novembro.

Depois do pleito, a aposta é de mudança no pano de fundo. Na avaliação de Tom Lee, os democratas tendem a apoiar projetos de centros de dados e a proposta que define as regras do mercado de ativos digitais nos Estados Unidos, o que destravaria investimentos hoje parados em inteligência artificial.

A diferença entre a projeção e o preço de hoje mede o tamanho da aposta. Para o bitcoin sair dos US$ 86,2 mil e superar os US$ 100 mil até dezembro, a alta necessária é de cerca de 16% em menos de três meses.

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