Block leva bitcoin à TV e usa o custo de vida como argumento
A Block colocou o bitcoin em anúncios de televisão, de redes sociais e de cinema nesta quinta-feira, 1º de outubro, na primeira grande campanha publicitária da empresa dirigida ao consumidor comum. Batizada de "Bitcoin Does", a ação fala com quem nunca comprou o ativo e chega em meio a uma queixa generalizada sobre o custo de vida nos Estados Unidos.
A empresa não apresenta o bitcoin como investimento. As peças mostram o ativo resolvendo situações banais, como pagar um arranjo de flores ou dividir com os amigos a conta do jantar.
A série reúne cinco peças de 15 segundos, um resumo de meio minuto e cortes verticais para redes sociais. Todas começam em um cenário comum da rotina, onde alguém reclama do preço de um produto, do reajuste do aluguel ou de um contrato de empréstimo confuso. Entre os cenários estão uma loja de discos, uma floricultura e um salão de beleza. O bordão encerra com uma frase em inglês, "Some things don't make sense. Bitcoin does."
A campanha roda no YouTube, no X, na Meta e no Instagram, além da televisão pela Fox Sports, até 31 de dezembro. No inverno americano, as peças entram em sessões selecionadas dos filmes Avengers Doomsday e Dune 3.
Uma campanha para quem nunca comprou bitcoin
A Block estima em 60 milhões o público nos Estados Unidos que a empresa classifica como curioso por bitcoin. O número saiu de uma pesquisa encomendada pela própria empresa, com 8.669 adultos que já ouviram falar do ativo, feita em agosto e ponderada com dados do Censo americano. A estimativa é que 22% dos adultos do país nunca tenham tido bitcoin, mas se mostrem abertos a comprar, testar ou usar.
Miles Suter, que lidera a área de produtos de bitcoin da Block, disse que o Square, o Cash App e o Bitkey tornam o ativo mais fácil de usar e que os anúncios mostram pela primeira vez como seria uma vida financeira apoiada no bitcoin.
A escolha do momento não é casual. Os anúncios estreiam a poucas semanas das eleições de meio de mandato, com os preços no centro do debate, e o bitcoin opera acima de US$ 83 mil.
A rede de aceitação já existe, falta quem queira gastar
A campanha se apoia em três produtos que a Block levou anos para montar. O Bitkey é a carteira de autocustódia da empresa e cobre a guarda do ativo. O Cash App resolve a compra, o envio e o gasto. O Square leva o bitcoin ao caixa do comerciante.
O Cash App já aproximou 24 milhões de clientes do bitcoin desde 2018. No lado do comércio, o Square começou a aceitar o ativo em novembro de 2025 e passou a ativar o recurso automaticamente para vendedores elegíveis em março de 2026. Em abril, a empresa informou mais de 800 mil negócios inscritos, com um novo estabelecimento aderindo a cada oito segundos.
Do lado de quem aceita, a rede já está posta. O que a campanha tenta criar é a outra ponta, o consumidor com vontade de pagar com o ativo.
A Block já havia tentado o discurso antes. A campanha "Bitcoin is Everyday Money", do fim de 2025, falava com parlamentares e defendia uma isenção fiscal para as compras pequenas.
Gastar bitcoin ainda é um evento tributável
Nos Estados Unidos, a lei do imposto trata o bitcoin como propriedade, e cada pagamento feito com ele pode gerar ganho de capital a declarar.
No Congresso, o debate avançou sem chegar à isenção. Em setembro, a comissão de impostos da Câmara aprovou um pacote para ativos digitais, mas o alívio ficou restrito a taxas de rede de até US$ 10.
A própria Block desenhou um caminho que contorna o problema. Em abril, apresentou o Dollars on Lightning, que usa o saldo em dólar do cliente e liquida o pagamento na rede Lightning. Não há evento tributável e o saldo em bitcoin do usuário segue intacto e disponível para saque.
Na véspera da campanha, o Cash App passou a pagar até 2% ao ano em bitcoin a quem mantém saldo no aplicativo, recompensa sem trava e sem empréstimo dos ativos dos clientes.
A Block também carrega a tese no próprio balanço. Em março, o tesouro corporativo tinha 8.997 bitcoins, dentro de um total de 28.355 mantidos pela empresa e por clientes. Os números são publicados em relatório com prova de reservas na rede.
Os filmes estão reunidos no site da Block, e a veiculação segue até 31 de dezembro. A isenção ampla para as compras pequenas, defendida pela empresa desde então, continua sem virar lei.
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