Mercado Crypto

Finanças tradicionais e on-chain serão a mesma coisa

A Fidelity deixou de separar as finanças tradicionais das finanças on-chain. Em um painel nesta quinta-feira no Longitude, em Singapura, Matthew Horne, que comanda a estratégia para ativos digitais na gestora americana, disse que a distinção entre os dois mundos tende a desaparecer. O que existe, na visão dele, é apenas finanças.

A conclusão veio de uma janela curta. Para Horne, os últimos 18 meses concentraram o maior empurrão de bancos e gestoras na direção de uma infraestrutura on-chain, e não há sinal de volta.

O painel aconteceu na décima edição do Longitude, conferência que reúne cerca de 350 convidados do mercado financeiro durante a semana do TOKEN2049, o encontro que leva o setor de ativos digitais a Singapura. Além da Fidelity, subiram ao palco a UBS, a Securitize e a Maple, que vendem fundos e crédito registrados em rede para investidores institucionais.

O argumento tem dois apoios. O primeiro é o alcance, porque um fundo tokenizado chega a mais tipos de investidor. O segundo é a estrutura, que costuma sair mais barata que a do produto financeiro tradicional.

A frase e a conta do mercado

O mercado que sustenta a tese ainda é pequeno, e é aí que a frase e a conta se separam. Na medição da plataforma RWA.xyz, os ativos tokenizados somavam US$ 38,6 bilhões no fim de setembro, sem contar as stablecoins, quase o dobro dos cerca de US$ 20,6 bilhões registrados um ano antes.

Para uma tese que fala em absorver a prateleira inteira das finanças, o tamanho ainda é de uma fração pequena. O mercado de stablecoins, que fica fora dessa conta, vale perto de US$ 294 bilhões, quase oito vezes o total dos ativos tokenizados.

Onde o dinheiro está agora

A maior fatia dos US$ 38,6 bilhões continua sendo a dívida do Tesouro americano. São cerca de US$ 14,75 bilhões, 38% do total, e esse pedaço encolheu 7,4% nos últimos 30 dias.

O avanço mais rápido ficou com as ações tokenizadas, que passaram de US$ 3 bilhões de valor e subiram 15% em um mês. É a categoria mais nova do levantamento e a que cresce com mais força, enquanto os fundos de Treasuries perdem espaço.

O número de detentores acompanhou o valor. Na mesma medição, havia pouco mais de 5 milhões de endereços com ativos tokenizados, quase 53% mais que um mês antes.

O que separa os bilhões dos trilhões

A própria Fidelity mantém uma classe on-chain do seu fundo de Treasuries, criada em 2025 e registrada na rede Ethereum. A classe é vendida apenas a investidores institucionais, com aporte mínimo de US$ 1 milhão.

As projeções do setor seguem ambiciosas. Um estudo da McKinsey estima que o mercado de ativos tokenizados chegue a cerca de US$ 2 trilhões em 2030. Uma projeção mais antiga apontava US$ 16 trilhões para o mesmo ano, e a distância entre as duas mostra o quanto essa conta está aberta.

A estrutura é o que trava a passagem de escala. Registro, custódia e liquidação precisam funcionar entre instituições diferentes, e cada gestora ainda resolve esse trecho dentro da própria casa.

O que a própria Fidelity leva para esse debate é pequeno e recente. A classe on-chain do fundo de Treasuries da gestora tinha US$ 152,8 milhões em abril e fechou agosto com US$ 31 milhões, um quinto do que mantinha no começo do ano, conforme os documentos do fundo.

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