Chave quântica no NEAR cabe em uma transação. O consenso espera 2027
As contas do NEAR podem adotar chaves resistentes a computadores quânticos com uma única transação, sem migrar ativos e sem trocar de endereço. A afirmação é do cofundador da rede, Illia Polosukhin, durante o TOKEN2049, em Singapura, e descreve uma capacidade que o protocolo ligou na rede principal em julho.
A atualização 2.13 entrou no ar no dia 20 de julho deste ano e colocou em produção um esquema pós-quântico de assinatura com aval do NIST, o ML-DSA-65, batizado de FIPS-204.
O padrão saiu do NIST em 2024, quando ainda atendia pelo nome de CRYSTALS-Dilithium. Ele responde à ameaça de um computador quântico que continua longe de existir em escala, mas que pode um dia derrubar a matemática que sustenta as chaves em uso hoje.
Ninguém precisou criar endereços novos para isso. O modelo de contas do NEAR, definido no lançamento de 2020, aceita mais de um formato de assinatura no mesmo endereço.
Daí a troca caber em uma transação. Quem quiser muda a chave quando quiser e mantém os ativos onde estão. As assinaturas clássicas, Ed25519 e secp256k1, seguem aceitas, o que retira a pressão de uma migração forçada.
A camada que ainda falta
A proteção que já está no ar cobre a chave de quem usa a rede. O consenso que sustenta o protocolo segue apoiado nas assinaturas de antes.
O plano que a rede divulgou no dia 24 de agosto quer levar a criptografia pós-quântica ao mecanismo de consenso até o fim de 2027. Até lá, os validadores que produzem e confirmam os blocos seguem assinando do modo antigo, e a defesa de hoje fica restrita à ponta que o usuário controla.
Há ainda o custo de tamanho. Uma assinatura ML-DSA-65 ocupa cerca de 3.300 bytes, contra 64 bytes da Ed25519.
Assinaturas maiores pesam em cada transação e no processamento da rede. O trabalho seguinte é, em boa parte, de eficiência. A equipe do NEAR diz buscar reduzir esse volume para que o esquema pós-quântico caiba com folga na operação normal.
O que se coleta agora pode ser aberto depois
Boa parte do risco não está no ataque em curso. Está na coleta, em uma lógica que o setor chama de colher agora e decifrar depois.
O adversário guarda dados cifrados hoje para abri-los quando tiver hardware quântico maduro. Em redes descentralizadas, isso vale para as chaves que hoje ficam expostas na corrente e podem no futuro revelar a privada por trás delas. Em março, uma pesquisa do Google com o Caltech indicou que máquinas quânticas capazes disso podem chegar antes do que o setor esperava, e exigir bem menos força de cálculo do que se imaginava.
O NEAR não está sozinho nessa frente. A Ethereum mira 2029, a Ripple marcou 2028 e a Solana já testa o esquema Falcon em clientes validadores.
O recurso ainda ajuda o NEAR em uma segunda frente. Pelas Chain Signatures e pelo NEAR Intents, a assinatura pós-quântica alcança ativos em 30 redes ou mais, entre elas o bitcoin, o ether e stablecoins. As duas ferramentas permitem ao protocolo assinar movimentações em redes de terceiros sem que os ativos precisem sair do seu lugar.
Na lista de carteiras, a Meteor Wallet aparece à frente, com a integração já pronta. Ledger e outras preparam o suporte, conforme o material do projeto, sem prazo firmado.
O próprio Polosukhin faz, no entanto, uma ressalva que o anúncio deixa de lado. No mesmo evento, ele ponderou que o temor quântico virou um exagero catastrófico no setor, com mais peso do que o problema tem hoje. O trabalho, disse, é sério e deve levar anos, mas a urgência ainda não acompanha a atenção.
O NEAR é negociado a US$ 4,76 e a rede vale US$ 6,2 bilhões, o 21º maior ativo digital. Os contratos travados na rede somam US$ 231 milhões, na medição da DefiLlama, e estão do lado que desde julho conta com assinatura pós-quântica.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.