Macro

A regra que trava o on-chain é a mesma que o destrava, aponta pesquisa

A clareza regulatória aparece como o fator que mais pesa para ampliar a adoção de serviços financeiros em rede. Em uma pesquisa com 162 executivos de bancos, empresas de pagamento, corretoras, gestoras de recursos e companhias nascidas no setor digital, 68,5% a apontam como o item que mais impulsionaria a adoção.

A mesma força aparece nas duas pontas. A regra clara é, ao mesmo tempo, o maior freio e o maior acelerador indicados nas respostas.

O levantamento se chama Onchain Readiness Report e foi feito pela zerohash, fornecedora de infraestrutura para ativos digitais, em parceria com a Ava Labs, empresa por trás da rede Avalanche. As respostas foram coletadas entre agosto e setembro deste ano.

A demanda dos clientes veio em segundo lugar, citada por 60,5% dos ouvidos, seguida do retorno comprovado de empresas do mesmo setor, com 45,7%. Na outra ponta, a incerteza sobre as regras e o licenciamento lideram a lista dos entraves, com 38,9%. O item seguinte, o retorno ainda pouco claro, tem 17,3%, menos da metade.

Para onde vai o dinheiro

Pagamentos e liquidações com stablecoins concentram 37,7% das respostas, e os ativos reais tokenizados, 25,3%. Somadas, as duas frentes reúnem 63% do investimento que as instituições planejam fazer nos dois anos seguintes.

Tokenizar é levar um ativo, como um título, uma cota de fundo ou um imóvel, para o formato digital e negociável em rede.

A prioridade muda conforme o setor. Entre os bancos, 42,3% colocam a tokenização no topo da lista, a aposta mais citada do grupo. Nas empresas de tecnologia financeira, a frente principal é a liquidação de pagamentos entre países, apontada por 25% das respostas.

Os setores em velocidades diferentes

Apenas 15,4% dos bancos ouvidos dizem que a adoção já é padrão na casa. Mas 61,5% esperam que ela vire padrão em até dois anos. Na média geral, esse número é de 32,1%, pouco mais da metade.

Quem já está mais adiantado são as empresas de pagamento, com 57,9%, e as corretoras, com 45,8%.

As gestoras de recursos aparecem como o grupo mais exposto a ficar para trás. Nenhum outro segmento diz tanto estar atrás dos concorrentes, 35,7%, bem acima da média dos demais, perto de 19,1%. Também lideram a falta de especialistas próprios, com 28,6%, contra menos de 10% no conjunto. E 21,4% admitem que o assunto nem está no planejamento.

Há ainda um gargalo pouco discutido no planejamento. Cerca de 22,8% dos ouvidos não sabem quantas redes diferentes vão precisar sustentar nos próximos dois anos.

Os agentes de inteligência artificial também estão na conta. Quase metade dos ouvidos, 46,9%, esperam que eles passem a negociar e a cuidar de saldos no lugar dos clientes em até dois anos. Entre os líderes de produto, o número sobe para 63,6%.

Para Mark Daly, que comanda a área de negócios da zerohash, o levantamento confirma o que a empresa escuta do setor no dia a dia. A leitura dele é que a tecnologia já está pronta, e a corrida, agora, é de quem se antecipa. John Nahas, que ocupa o mesmo posto na Ava Labs, diz que o debate mudou de tom e que a dúvida agora é de tempo, a de quanto cada instituição leva para tirar o projeto do papel.

O resultado vem em uma janela movimentada no campo das regras. Em setembro, o Senado americano barrou a votação do projeto que dividiria a fiscalização dos ativos digitais entre a comissão de valores e a de futuros. O texto já havia passado pela Câmara em 2025, quando o país aprovou a lei das stablecoins de pagamento.

Sobre os números, os autores fazem uma ressalva. A amostra reúne quem se dispôs a responder, sem sorteio para representar todo o mercado. O resultado deve ser lido como um sinal de direção de um público já engajado no tema.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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