Schiff escolhe o ouro, e a aposta de dez vezes põe a onça em US$ 41,4 mil
Peter Schiff colocou o ouro à frente do bitcoin na chance de multiplicar por dez em cinco anos, e a aposta tem tamanho definido. Na cotação desta quarta-feira, a onça teria de valer US$ 41,4 mil e o bitcoin, quase US$ 834 mil, para chegar às dez vezes. O economista da Euro Pacific disse ainda, na mesma conversa, que a moeda vai levar uma surra. As duas declarações foram dadas ao apresentador David Lin, em entrevista publicada na segunda-feira.
A conversa foi com o investidor imobiliário Grant Cardone, que comanda a Cardone Capital, e durou quase uma hora. Os dois discutiram juros, moradia e bitcoin, e o trecho sobre o metal e a moeda aparece no fim, depois de Cardone defender a mistura de imóveis e bitcoin no mesmo portfólio. O programa foi gravado na sexta-feira.
Na provocação do outro convidado, Schiff reconheceu que ficou de fora do bitcoin quando ele ainda era barato, e mesmo assim manteve a escolha do metal para os cinco anos seguintes.
A surpresa que ele admite
Dois dias antes, em outra entrevista, publicada no domingo, ele já havia feito uma concessão parecida. Schiff afirma que não sabe o que sustenta o preço do bitcoin e que esperava uma queda que não veio. No relato dele, a moeda negociava perto de US$ 60 mil antes do anúncio de recompra de títulos do Tesouro e agora gira na casa dos US$ 85 mil, enquanto o ouro devolveu quase tudo o que subiu no mesmo intervalo.
A explicação que ele oferece para essa resistência é o rali de tecnologia e inteligência artificial que puxou as maiores ações americanas. Para ele, não há procura por proteção contra a desvalorização do dinheiro sustentando a moeda, e o caminho segue para novas mínimas.
O calendário político entra na mesma conta. Na avaliação dele, os republicanos transformaram o bitcoin em tema partidário ao cortejar doadores do setor, e uma vitória democrata nas eleições marcadas para 3 de novembro pode virar o Congresso contra a indústria. Schiff defende que o governo americano fique neutro, sem tratar a moeda como reserva estratégica. Ele afirma também que não quer o presidente dos Estados Unidos dizendo ao público para comprar bitcoin e nunca vender.
O que a aposta exige
O bitcoin era cotado perto de US$ 83,4 mil nesta quarta-feira, e o ouro, em US$ 4.138 a onça, com recuo de 1,2% no dia. A prata caía 3,3%, a US$ 58,46. O metal segue longe do pico de janeiro, como a matéria de segunda-feira mostrou, e a moeda continua cerca de um terço abaixo do recorde.
Para chegar às dez vezes, a onça teria de sair dos US$ 4.138 e ir a US$ 41,4 mil, e o bitcoin, dos US$ 83,4 mil para quase US$ 834 mil. Nos cinco anos até esta quarta-feira, nenhum dos dois fez esse caminho. Em novembro de 2021, o metal valia US$ 1.773 a onça e a moeda, US$ 57 mil. De lá para cá, o ouro avançou 133% e o bitcoin, 46%. O metal multiplicou por 2,3, e a moeda, por 1,5.
O ponto de partida decide a resposta. Medido desde o começo de 2023, o bitcoin multiplicou por 3,6 e o ouro por 2,3, o oposto do que mostra a janela de cinco anos.
O peso da escolha
O metal também é o negócio dele. Schiff vende ouro e prata pela SchiffGold, com armazenagem do que o cliente compra, e promove o T-Gold, produto de ouro tokenizado que promete deixar o cliente gastar a parte guardada com cartão de débito.
Se o alvo se cumprir, o valor de mercado do bitcoin vai a praticamente 17 trilhões de dólares, dez vezes o tamanho de hoje.
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