Bitcoin

Morgan Stanley quer o bitcoin como ouro, com teto de 4% da carteira

No Morgan Stanley, quem comanda a área de ativos digitais é Amy Oldenburg. Ela levou aos clientes o argumento de que o bitcoin deveria se mover como ouro digital, e que essa leitura é a razão para dar espaço ao ativo na carteira. O banco voltou ao tema nesta quinta-feira, repetindo em vídeo o que já constava do documento. A recomendação que chegou aos assessores vai até 4% do patrimônio, conforme o perfil de risco, e se apoia na escassez do bitcoin e na comparação com o ouro.

Toda a tese depende de o bitcoin se comportar como ouro, e os meses recentes não têm ajudado essa comparação. Os dois ativos passaram a andar em direções diferentes.

Nas últimas 24 horas, a onça do ouro subia cerca de 1,2%, perto de US$ 4.160, enquanto o bitcoin recuava quase 1% e rondava US$ 81 mil, na faixa em que vem tropeçando desde a véspera. A distância entre os dois comportamentos é o ponto que a própria executiva admite como obstáculo para a tese.

Em pesquisa própria, a casa calcula a volatilidade anualizada do bitcoin em cerca de 55%. O número multiplica por quatro a oscilação do S&P 500.

Por isso a recomendação pede reequilíbrio periódico, para que uma alta forte não transforme a fatia pequena em risco grande dentro da carteira. A executiva foi direta sobre o incômodo. Quando a tecnologia vende com força, disse ela, o bitcoin segue junto, e essa sensibilidade ao setor afasta a leitura do ouro. Ela afirmou que gostaria de ver o padrão se sustentar ao longo de vários ciclos.

O cliente ainda não seguiu o argumento

A fatia sugerida é pequena de propósito, e a casa não reserva espaço equivalente ao ouro nas carteiras que monta para os clientes.

A faixa foi formalizada em outubro do ano passado, quando o comitê de investimentos recomendou de zero a 2% para carteiras equilibradas e de 2% a 4% para os perfis com mais apetite a risco, colocando o ativo ao lado de commodities e imóveis. O Morgan Stanley administra cerca de US$ 9 trilhões em ativos de clientes, e o fundo de bitcoin do banco, o MSBT, estreou em abril e passou de US$ 600 milhões em poucos meses.

A maior parte desse dinheiro chegou por clientes que decidem sozinhos, sem passar pelo conselho do assessor que acompanha a carteira.

O treinamento da rede interna é a aposta para fechar essa distância. A executiva disse que muitos assessores ainda não separam o bitcoin do restante do mercado de ativos digitais com segurança, e que a equipe passa horas ao telefone explicando modelos e faixas de alocação. No estudo da casa, o mercado potencial do bitcoin soma US$ 130 trilhões, entre o dinheiro em circulação no mundo e o ouro, e o ativo responde por pouco mais de 2% desse total.

Em um cenário de adoção parada, o retorno anualizado ficaria perto de 3%, e no cenário central, entre 6% e 7%. Na adoção acelerada, chegaria a 10% ao ano.

A custódia própria é a próxima etapa

O banco também quer guardar o ativo por conta própria. A casa recebeu em junho uma aprovação condicional do supervisor bancário americano para abrir um truste digital, e planeja levar a negociação de ativos digitais à vista para a plataforma de gestão de patrimônio, onde o cliente já compra os fundos do setor.

O fundo de bitcoin do Morgan Stanley guardava mais de 10 mil bitcoins na contagem da Arkham, pouco mais de US$ 860 milhões na cotação desta quinta-feira.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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