A bolsa chinesa caiu 10 semanas seguidas e a economia cresceu 4,5% no trimestre
O CSI 300, que reúne as 300 maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, fechou nesta quinta-feira aos 4.036 pontos, com baixa de 1,84% no dia. Foi a décima semana consecutiva de queda, e a semana em curso, que termina nesta sexta-feira, caminha para a 11ª.
Nos 21 anos do índice, nenhuma sequência durou tanto. A maior anterior teve 9 semanas, entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, com perda acumulada de 17%. As quedas de 2008 foram mais fundas, com 8 semanas e recuos de até 29%, e pararam antes.
O CSI 300 está 20,3% abaixo do pico de junho, quando tocou 5.064 pontos, e no menor patamar desde julho do ano passado. Nas dez semanas fechadas em baixa, a perda soma 14%.
Visto de mais longe, o rali de 2026 foi um respiro em um mercado que não recuperou o recorde. Mesmo no pico de junho, o CSI 300 estava abaixo dos 5.807 pontos de fevereiro de 2021, o maior fechamento da história do índice. Com o pregão desta quinta, está 12,8% abaixo do fechamento de 2025 e 30% abaixo daquele recorde.
A queda acontece com a economia em expansão. O PIB chinês cresceu 4,5% entre julho e setembro, na comparação com igual período de 2025, acima dos 4,3% do segundo trimestre, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Nos nove primeiros meses, a expansão chega a 4,6%.
O estrago está nas ações de inteligência artificial
O ChiNext, das empresas de crescimento listadas em Shenzhen, caiu 4,37% nesta quinta e acumula 41,2% de perda desde o topo de junho. Está 17% abaixo do piso de março, de onde partiu o rali.
O STAR 50, que reúne as companhias de tecnologia de Xangai, recuou 2,79% no dia e está 42% abaixo do pico. Devolveu todo o ganho da alta e voltou ao nível de março.
O rali foi curto e concentrado. Entre o fim de março e o fim de junho, o STAR 50 subiu 77%, o ChiNext ganhou 40,8% e o CSI 300, 15,2%. A alta se apoiou em chips, que concentraram os maiores ganhos do período.
As duas fabricantes de GPU que estrearam na bolsa em dezembro mostram o tamanho da devolução. A MetaX fechou a 430,09 yuans, 56,2% abaixo dos 981,88 de 9 de julho. A Moore Threads caiu de 759 para 344,99 yuans no mesmo intervalo, baixa de 54,5%. As duas carregam o sufixo U no código de negociação, marca das empresas de tecnologia da STAR que ainda não dão lucro.
Dentro da bolsa, a queda tem endereço. O índice de bancos da China recuou 0,27% nesta quinta, quase estável, no dia em que o ChiNext perdia 4,37%. O SSE 50, das maiores companhias, caiu 0,81% e está 14,3% abaixo do pico de janeiro, atingido antes do rali da IA.
A correção acompanha o movimento que derrubou as bolsas asiáticas nas últimas semanas. Em 15 de outubro, a bolsa coreana fechou com baixa de 8%, com as fabricantes de chips entre as maiores perdas do dia. O Kospi caiu perto de 38% desde o topo de junho. O CSI 300 caiu 20,3%.
O lucro das empresas industriais subiu 15,7%
Os balanços seguiram na direção oposta ao preço. O lucro das grandes empresas industriais cresceu 15,7% nos oito primeiros meses do ano, e a produção industrial subiu 5,5% em setembro, com alta de 6% na manufatura.
O segmento de alta tecnologia da indústria cresceu 14,3% no acumulado do ano. Robôs industriais tiveram alta de 29,1%, baterias de lítio, 39,5%, e impressoras 3D, 62,5%. O setor que puxou o rali das ações não parou de crescer no trimestre em que o preço dessas ações desabou.
Cedeu o preço que o mercado aceita pagar por essas empresas. O lucro subiu, a produção subiu, e a ação caiu. Nenhum dado do trimestre acompanha a queda. O que mudou foi a avaliação de quanto vale manter tecnologia chinesa na carteira.
O elo fraco está no consumo e no imóvel
As vendas do varejo somaram 37 trilhões de yuans entre janeiro e setembro, alta de 1,1% sobre igual período de 2025. Em setembro, a expansão foi de 1,1%, e de 3,9% sem os carros.
O investimento em incorporação imobiliária caiu 20,6% nos nove meses, e os novos lançamentos recuaram 24,9%. Os preços ao consumidor subiram 0,9% em 12 meses até setembro.
O PIB de 4,5% e o lucro industrial 15,7% maior não impediram a maior sequência de quedas semanais da história do índice. A conta que o mercado está fechando é a do preço que pagou pela tecnologia entre março e junho.
Fora da bolsa, a economia que sustenta o mercado doméstico segue fraca, com o varejo em 1,1% e o investimento imobiliário em queda de 20,6%. O fechamento de sexta-feira define se a sequência chega a 11 semanas.
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