Macro

A bolsa coreana fechou em queda de 8% e o bitcoin perdeu os US$ 81 mil

O bitcoin perdeu os US$ 81 mil na virada de quarta para quinta-feira e o ether caiu abaixo de US$ 2,4 mil, em um movimento que atravessou todo o mercado de ativos digitais. Nos dez minutos anteriores ao rompimento do piso, US$ 350 milhões de apostas na alta foram liquidadas. É o menor nível do bitcoin em quase um mês.

O bitcoin chegou a ser negociado perto de US$ 80 mil no pregão asiático e não sustentou a recuperação até US$ 81,5 mil. No início da manhã desta quinta-feira, era cotado perto de US$ 80,8 mil, com queda de quase 3% em 24 horas.

O ether caiu 6,5% e ficou em US$ 2.353. Os contratos do ativo responderam por US$ 286 milhões do total liquidado, mais que os US$ 197 milhões do bitcoin, o que mostra a pressão concentrada no segundo maior ativo do mercado. O zcash recuou 12,8%, para US$ 1.101, o pior desempenho entre os dez maiores. O solana e o XRP caíram perto de 5%.

No acumulado das últimas 24 horas, as liquidações somaram US$ 951,4 milhões, e US$ 876,3 milhões delas estavam em apostas na alta.

A queda do bitcoin coincidiu com uma das piores sessões do ano nas bolsas asiáticas. O Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 8%, fechou no menor nível em seis meses e teve a negociação interrompida pelos mecanismos de segurança da bolsa.

O pregão coreano parou por 20 minutos

O índice abriu em queda de 5,6% e ampliou as perdas ao longo da manhã. O mecanismo de interrupção da bolsa foi acionado às 12h38, no horário de Seul, quando o Kospi passava de 8% de baixa, e a negociação ficou parada por 20 minutos. O Kosdaq, das empresas menores, havia parado quinze minutos antes. Era a primeira vez desde 29 de julho que os dois mercados eram interrompidos no mesmo dia, e o nono acionamento do mecanismo na Coreia neste ano.

As fabricantes de chips puxaram a queda. A Samsung Electronics perdeu 9% e a SK Hynix, 11%, as duas maiores perdas do índice. O Kospi cruzou os 9.000 pontos em junho, no topo histórico, e agora está abaixo dos 5.600.

O Japão seguiu o mesmo caminho. O Nikkei 225 recuou quase 5% e fechou a 64.425 pontos, com a SoftBank, uma das principais investidoras da OpenAI, entre as maiores quedas do dia. Nos Estados Unidos, a sessão de quarta-feira já havia terminado em baixa, com o índice S&P 500 a menos 1,1% e o Nasdaq a menos 1,9%.

A dúvida sobre o retorno da IA

Um relatório da Gartner publicado na quarta-feira colocou números na desconfiança. A casa calcula que os provedores de inteligência artificial vão gastar US$ 7 trilhões em infraestrutura até 2030, quase US$ 1 trilhão só neste ano. Para cobrir esse investimento, o financiamento e um retorno de 12% sobre o capital, os donos dos data centers precisariam faturar US$ 8,5 trilhões até o fim da década. A previsão de receita da própria Gartner para o setor não passa de US$ 3,6 trilhões.

Pelas contas da casa, a diferença entre as duas projeções deixa mais de US$ 3,5 trilhões em investimento exposto a baixa contábil até 2030, e empurra o retorno de 12% para 2032, na melhor das hipóteses.

A saída de investidores estrangeiros da bolsa coreana superou 12 trilhões de wons em outubro, na contagem da KB Securities.

A saída voltou aos fundos americanos

Nos Estados Unidos, os fundos de bitcoin negociados em bolsa fecharam a quarta-feira com US$ 261,4 milhões de saída líquida, na contagem da Farside. O IBIT, da BlackRock, devolveu US$ 110,9 milhões, e o FBTC, da Fidelity, US$ 152,7 milhões. A saída apagou o movimento de terça-feira, quando dois fundos puxaram a captação.

O bitcoin tinha perdido os US$ 83 mil na quarta-feira, quando o CPI de setembro saiu a 3,7%, que mudou as apostas.

Na avaliação da Zeus Research, as duas quedas refletem a mesma aversão a risco, e a fraqueza das ações de tecnologia americanas transbordou para as bolsas asiáticas e para os ativos digitais, sem uma relação de causa direta entre as duas praças.

A Laevitas, casa de análise de derivativos, avalia que o volume liquidado indica que boa parte da alavancagem acumulada já foi desmontada, e que o rumo do mercado passa a depender da volta da compra à vista. Os fundos americanos são a medida mais próxima dessa demanda. Depois de dez sessões de outubro, eles acumulam US$ 537,4 milhões de saída líquida, o que dá US$ 53,7 milhões devolvidos por dia de negociação.

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