Cardano testa US$ 0,16 com transações em queda de 62% e plano de treasury de 500 milhões de ADA
A Cardano acumula mais um trimestre de performance negativa. O token ADA opera em torno de US$ 0,16, muito distante do recorde histórico de US$ 3,10 registrado em 2021. Nos últimos dias, o ativo caiu mais 2% e o volume de negociação encolheu 23%, para US$ 177 milhões, segundo dados da AMBCrypto e da CoinGecko.
Os dados on-chain reforçam o cenário de estagnação. A rede registrou apenas 21.700 transações no último dia, uma queda de 62% em relação ao pico de 57 mil transações diárias. Ao longo de 2026, a contagem diária oscilou entre 11 mil e 20 mil transações, um patamar baixo para uma blockchain que está no mercado desde 2017 e tem uma das comunidades de desenvolvimento mais ativas do setor.
O número de endereços ativos subiu para aproximadamente 13.860, mas o dado traz pouco alívio. A divergência entre mais usuários e menos transações sugere que a base existente não está gerando atividade nova na rede. São pessoas que continuam observando, mas não movimentam valor na cadeia com a frequência que o ecossistema precisa para se sustentar.
O mercado futuro também não ajuda. Dados da CryptoQuant mostram que grandes investidores dominam as negociações de ADA nas corretoras centralizadas. Esse domínio se traduziu em vendas líquidas nas duas últimas semanas, com as baleias usando a liquidez disponível para reduzir posições.
O fluxo líquido à vista ficou em US$ 1,41 milhão, contra US$ 143,43 milhões em entradas nas exchanges. Na semana que começou em 13 de julho, as entradas somaram US$ 167,39 milhões, com fluxo líquido de US$ 1,82 milhão. O padrão se repete há semanas, com grandes volumes entrando nas corretoras e apenas uma fração saindo, o que mantém a pressão vendedora sobre o preço.
Há também um dado curioso. Em 14 de julho, com base em dados da Santiment, o LaboNews registrava as baleias acumulando 25,6 bilhões de ADA, o maior nível em 3,5 anos. O movimento de acumulação dessas grandes carteiras contrasta com a venda vista nos fluxos de exchange, indicando que diferentes grupos de baleias estão tomando direções opostas.
O lado positivo, se é que existe neste momento, está no plano de tesouraria da Cardano. A proposta aumenta a alocação de gastos do treasury de 350 milhões para 500 milhões de ADA, dando à rede mais espaço para construir infraestrutura e financiar desenvolvimento.
O movimento faz sentido se conseguir atrair mais protocolos para a rede.
O dilema entre desenvolvimento e adoção
Hoje, segundo dados da DeFiLlama, apenas 62 protocolos operam na Cardano, com US$ 61,7 milhões em valor total bloqueado. O número é baixo para anos de desenvolvimento contínuo e contrasta com redes mais jovens que já superam a marca de US$ 100 milhões em TVL.
A ativação do hard fork van Rossem e os preparativos para a era Dijkstra com o Ouroboros Leios mostram que o desenvolvimento técnico da Cardano não parou. O problema é que a atividade na rede não acompanha as atualizações, e o mercado já não recompensa apenas código novo sem adoção correspondente.
O aumento do treasury pode ser o impulso que falta para reverter o quadro, mas o mercado trata a notícia com ceticismo. Sem um salto no número de transações e na atração de novos usuários, o plano corre o risco de ser mais uma promessa em um ecossistema que ainda não entregou escala depois de tantos anos de desenvolvimento.
A ADA enfrenta um dilema clássico de blockchains que priorizaram desenvolvimento teórico sobre adoção prática. A tecnologia está pronta, a base de usuários existe, mas a atividade econômica real na rede ainda é residual para o tamanho da sua capitalização de mercado. O plano de 500 milhões de ADA no treasury responde a uma pergunta que a Cardano ouve há anos. Falta saber se mais funding para infraestrutura é suficiente para reverter a estagnação ou se o ecossistema precisa de algo que dinheiro não compra.
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