XRP vira colateral na Ethereum e destrava empréstimos em RLUSD
O XRP sempre figurou entre os maiores ativos do mercado, mas quase nunca dentro das finanças descentralizadas. A lacuna nunca foi falta de interesse, era infraestrutura. Nesta segunda-feira, a Flare anunciou que o FXRP foi aprovado como colateral no vault de RLUSD da Sentora no Morpho, e detentores de XRP podem agora tomar empréstimos na stablecoin da Ripple sem vender nada.
Finalmente, o crédito descentralizado abriu as portas para ele.
O anúncio veio da Flare e abre um mercado isolado de FXRP contra RLUSD dentro do Morpho Blue, protocolo de empréstimos. O vault principal da Sentora guarda cerca de US$ 280 milhões em RLUSD, o maior vault de RLUSD curado institucionalmente na rede.
Como funciona o empréstimo
“XRP é um dos maiores ativos em crypto e um dos menos usados em DeFi. Essa lacuna era infraestrutura”, disse Hugo Philion, cofundador e CEO da Flare. “XRP agora é colateral que um time de risco institucional valida na Ethereum, um reconhecimento mais forte do que mais uma listagem em ponte.”
O caminho até o empréstimo tem quatro passos. O detentor converte XRP em FXRP pelo portal FAssets da Flare, faz a ponte até a Ethereum, deposita o token como colateral e toma RLUSD emprestado até o limite permitido pela relação entre empréstimo e garantia.
Ninguém precisa vender o XRP para entrar nesse mercado.
Quem entra no mercado não abre mão do ativo. O colateral fica depositado, o XRP segue exposto ao preço, e o dinheiro emprestado chega colado ao dólar. É o desenho do Wrapped Bitcoin aplicado ao XRP.
O aval institucional
A aprovação da Sentora é o marco que o mercado observa. É a primeira vez que um ativo baseado em XRP entra como garantia em um vault de empréstimos curado institucionalmente na Ethereum, um aval de time de risco que vai além de uma ponte listando o token.
O Morpho Blue usa mercados isolados, cada um com seu próprio ativo de colateral, oráculo e limite de liquidação, para que um problema em um mercado não contamine os demais. Antes de aprovar o FXRP, a Sentora revisou comportamento de mercado, desenho do oráculo, liquidez e mecanismos de liquidação, e o ativo passou a operar sob o mesmo monitoramento dos demais colaterais.
O cap inicial de oferta é conservador e cresce conforme o uso.
“XRP é um dos maiores e mais líquidos ativos digitais do mercado. Ao habilitar o FXRP como colateral em nossos vaults de RLUSD, estamos trazendo essa escala para o DeFi”, disse Jesus Rodriguez, cofundador e CTO da Sentora.
O movimento reforça a aposta da Ripple na RLUSD como stablecoin para empresas. A moeda começou a ser testada em agosto de 2024 na Ethereum e no XRP Ledger, e recebeu aprovação do regulador de Nova York em dezembro daquele ano, antes do lançamento.
No mês passado, a Mastercard disse que vai apoiar a liquidação de stablecoins reguladas, incluindo RLUSD, USDC e SoFiUSD.
A Flare já trabalha em atalhos. Estão em desenvolvimento as Smart Accounts, que permitiriam ao detentor autorizar transações direto da carteira no XRP Ledger enquanto a infraestrutura cuida da conversão e da ponte, e a cunhagem direta de FXRP do XRPL para a Ethereum, sem etapa separada de ponte.
O XRP valia US$ 1,08 nesta segunda-feira, e a RLUSD operava colada em US$ 1,00, com cerca de 699 milhões de unidades emitidas na rede Ethereum.
O crédito descentralizado sempre tratou o XRP como convidado. Com o aval institucional da Sentora, o ativo senta à mesa como colateral de primeira linha, e o teste do movimento será ver essa utilidade nova virar volume de empréstimos ou ficar só na promessa.
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