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Firmus, ex-mineradora de bitcoin, levanta US$ 2 bi apoiada pela Nvidia

A rodada fecha um mês em que os cheques bilionários para o ecossistema da Nvidia não pararam de chegar. A Firmus, que começou fornecendo sistemas de refrigeração para mineração de bitcoin antes de migrar para data centers de inteligência artificial, recebeu compromissos de US$ 2 bilhões em uma captação totalmente subscrita. O movimento elevou a avaliação da empresa australiana para acima de US$ 10,5 bilhões, segundo comunicado oficial divulgado em Sydney nesta sexta-feira.

A Nvidia e a Coatue voltaram como investidores na rodada. Blackstone e Jane Street entraram pela primeira vez.

O número quase dobra o valuation registrado em abril, de US$ 5,5 bilhões. Ao todo, a Firmus levantou mais de US$ 3 bilhões em capital no último ano, uma reavaliação que o diretor administrativo da Datt Group, Emanuel Ajay Datt, atribuiu à raridade de oportunidades desse tipo no mercado global. Em quatro meses, o capital privado praticamente dobrou o valor da companhia, em um ritmo que impressiona até para o padrão acelerado das rodadas de IA.

O dinheiro será usado para acelerar o Project Southgate, o plano de construir fábricas de treinamento e inferência de IA na Austrália.

A Firmus e o capital para fábricas de IA

A expansão também mira a Ásia-Pacífico, incluindo um projeto recém-anunciado na Indonésia. A infraestrutura é construída sobre a arquitetura de referência DSX da Nvidia, e a empresa mantém capacidade própria de fabricação para sua plataforma proprietária HyperCube, além de software de grade elétrica que reforça a eficiência energética dos data centers. É a combinação de peças que permite à empresa acelerar a entrega de capacidade de processamento com custo e consumo de energia mais baixos.

Para os defensores das ações da Nvidia, o recado é claro. O apetite por gastos pesados em IA segue intacto a três semanas da divulgação dos resultados, marcada para 26 de agosto.

O anúncio vem na esteira do acordo de computação satelital com a SpaceX, fechado no início da semana, e de um acordo de junho para a Firmus comprar infraestrutura da Nvidia e revender serviços em nuvem. Cada compromisso novo alimenta a mesma história de demanda que sustenta o papel.

A Nvidia perto do recorde na bolsa

Na bolsa, a Nvidia negocia perto do recorde. As ações mudavam de mãos em torno de US$ 223,96 no pregão desta sexta-feira, cerca de US$ 13 abaixo da máxima histórica de US$ 236,54, registrada em 14 de maio, segundo dados da plataforma financeira Yahoo Finance. A distância curta para a máxima alimenta a expectativa de um novo teste nos próximos pregões, embora o papel já acumule alta relevante desde o início do ano.

Wall Street segue firme no lado comprador. Entre os 37 analistas que cobrem a empresa, 36 recomendam compra e apenas um mantém posição neutra, sem nenhuma recomendação de venda.

O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de US$ 308,69, o que representa um potencial de valorização de cerca de 39% em relação aos níveis atuais. As projeções variam de US$ 250 a US$ 500, com Bernstein e Wells Fargo fixando metas de US$ 315.

Nem todos compram o argumento. Michael Burry, gestor conhecido pela aposta contra o mercado imobiliário de 2008, já alertou para o risco de um colapso no estilo de 1987 e sustenta que a Nvidia ajuda a financiar os clientes que compram seus próprios chips, criando um ciclo que ele considera frágil. A visão dele circula com força entre os que veem semelhança com a euforia tecnológica que precedeu a crise.

Uma rodada de captação não resolve essa disputa. Ela mostra, porém, que os cheques de bilhões de dólares para projetos alinhados à Nvidia continuam chegando, mesmo com o debate sobre bolha de IA em aberto.

A origem bitcoin da Firmus dá o contorno da história. Uma empresa nascida no ecossistema crypto agora puxa capital dos maiores gestores do mundo para apostar em fábricas de IA, em um mercado que reclassifica esse tipo de infraestrutura como ativo escasso. A virada de setor se tornou um trunfo na captação.

O teste de fogo chega em 26 de agosto, quando os resultados da Nvidia vão mostrar se a demanda que sustenta essa enxurrada de capital é tão sólida quanto os cheques sugerem. Para a Firmus, porém, a aposta já está feita, e o caminho escolhido é o mesmo que poucas empresas do setor conseguiram trilhar até aqui, sair da sombra do bitcoin para virar uma das apostas centrais da corrida por infraestrutura de IA.

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