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EUA fecham mais duas portas cripto do Irã ligadas à Guarda

O Tesouro americano voltou a fechar uma porta que o Irã encontrou para movimentar dinheiro fora dos bancos. O OFAC, o escritório de controle de ativos dos Estados Unidos, sancionou nesta sexta-feira duas exchanges acusadas de ajudar Teerã a lavar valores e escapar das sanções, ampliando a campanha contra a rede de finanças digitais ligada à Guarda Revolucionária Iraniana, que já vinha sendo alvo de medidas sucessivas ao longo do ano.

Os alvos foram a Shelbit Exchange e a Aban Tether, além de Siavash Kayvanpour e de empresas ligadas a ele em Geórgia, Polônia e nos Emirados Árabes. A Treasury descreveu Kayvanpour como o chefe de uma rede de companhias de fachada, espalhada por jurisdições diferentes, que serve para mover ativos digitais de forma ilícita.

Quem foram as exchanges sancionadas

O dinheiro da Guarda passava pela Shelbit.

Endereços ligados à Guarda Revolucionária enviaram mais de US$ 1 milhão em cripto para a exchange, e mais de US$ 2 milhões saíram dela de volta para carteiras da Guarda. Carteiras controladas por Kayvanpour também mandaram mais de US$ 2 milhões para a Nobitex, a maior exchange do Irã, já sancionada desde junho. A Aban Tether processou milhões em transações com exchanges iranianas já na lista, entre elas Nobitex, Wallex, Bitpin e Ramzinex.

A rede de Kayvanpour tinha braços espalhados por três países. Na Geórgia, a SHPS Shelbit opera a exchange. Nos Emirados, a Shelbit General Trading responde pela marca, e já havia sofrido ações do regulador local em janeiro de 2025 e em julho deste ano, sem deixar de operar. Na Polônia, a Shelbit Technologies Ltd consta como empresa ligada ao esquema.

A escala da movimentação chama atenção.

O Tesouro estimou que o regime iraniano usa essas plataformas para lavar bilhões de dólares. Em frente paralela, o OFAC também sancionou uma rede de casas de câmbio e empresas de fachada que teria ajudado o sistema bancário paralelo do Irã a movimentar centenas de milhões, incluindo recursos ligados à venda de petróleo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, resumiu o objetivo da ofensiva.

A dependência do regime de ativos digitais e redes bancárias paralelas é mais uma prova de que a campanha chamada de Fúria Econômica está funcionando, disse ele, prometendo caçar e desmontar as redes financeiras ilícitas que mantêm o regime de pé, em dólar, em rial ou em cripto.

A medida se soma a uma sequência de ações contra a infraestrutura cripto do Irã, que começou em janeiro com a Zedcex e a Zedxion, seguiu em junho com a Nobitex e outras plataformas e, no mês passado, atingiu quatro carteiras ligadas ao banco central, com a Tether congelando cerca de US$ 131 milhões mantidos nelas. Cada rodada fecha uma nova porta para o regime.

As sanções chegam em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Isso eleva a aposta para emissoras de stablecoins e exchanges que lidam com fundos ligados a entidades iranianas.

A ofensiva contra o dinheiro do Irã

A Reuters trouxe um número adicional ao caso. Segundo a agência, pelo menos US$ 4 bilhões teriam passado pela Shelbit em uma rede que envolve mais de 2.000 sites de aposta, o banco central do Irã e partes ligadas à Guarda. A exchange negou ter facilitado lavagem de dinheiro ou financiamento a entidades militares. O Departamento de Estado oferece uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações que desmontem os mecanismos financeiros da Guarda.

A ofensiva não termina nas exchanges.

O padrão da campanha é claro, com sanções sucessivas, alvos cada vez mais específicos e pressão crescente sobre quem opera com fundos de origem iraniana, e o cerco aperta em torno das plataformas que servem de ponte entre o regime e o sistema financeiro global.

Para exchanges e emissoras, o recado é direto. Identificar fundos ligados ao Irã deixou de ser opcional, e o risco de ficar fora do sistema financeiro americano é o preço.

O ciclo se repete, e o mercado assiste ao cerco se fechar.

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