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Blockstream entra no vácuo da Boltz e lança swaps de bitcoin

A Blockstream anunciou nesta segunda-feira um novo serviço de swaps de bitcoin, batizado de Blockstream Swaps, que permite mover valores entre a rede principal e a Lightning sem rodar um nó ou abrir canais. O anúncio chega uma semana depois de a Boltz, principal provedora non-custodial, ter suspendido os serviços, e a empresa entra no vácuo deixado pela concorrente.

A Boltz desligou tudo em 3 de agosto sem prazo para voltar. Em comunicado, a empresa disse que vinha sendo alvo de sondagens automatizadas e ataques assistidos por inteligência artificial, e que os invasores passaram a encontrar vulnerabilidades mais rápido do que a equipe corrige.

O golpe não atingiu fundos de usuários. Como a arquitetura é non-custodial, nenhum dinheiro de clientes ficou em risco, e os prejuízos se limitaram ao caixa próprio.

É nesse vácuo que a Blockstream entra. A empresa disse que o novo serviço já estava em desenvolvimento, e que ele complementa os provedores que já fazem esse trabalho, em vez de substituir qualquer um deles.

A proposta é simples. O usuário mantém um saldo em bitcoin ou em LBTC, o ativo nativo da Liquid, a sidechain criada pela própria Blockstream, e deixa o swap converter o valor no momento do pagamento, sem precisar entender os detalhes técnicos por trás da operação.

Como funciona o swap de bitcoin

Um swap atômico é uma troca sem confiança entre duas partes. A garantia é que ambos os lados se completam por inteiro, ou a transação falha e os fundos voltam aos donos originais.

A Boltz usava um tipo específico, baseado no contrato bloqueado por tempo e hash, conhecido como HTLC.

O mecanismo usa um hashlock. Uma das partes gera um segredo aleatório e publica apenas o hash dele, e os dois pagamentos ficam presos à mesma condição, em que quem produz o segredo reclama os fundos, e revelar o segredo para receber um lado torna o outro disponível.

O timelock completa o arranjo. Cada lado carrega um caminho de reembolso que se ativa se o swap não terminar a tempo, devolvendo o dinheiro em vez de perdê-lo.

Cada direção do swap tem um nome. Um submarine swap move bitcoin da rede principal ou da Liquid para a Lightning, enquanto um reverse submarine swap faz o caminho contrário, e um chain swap troca bitcoin e LBTC, os três desenhos cobrindo as combinações entre camadas.

O ganho para quem paga e para o ecossistema

O ganho prático é para o usuário comum. Em vez de lidar com canais, liquidez de entrada e estado de canal, quem paga com a Lightning vê apenas um envio e um recebimento simples.

A Lightning também passa a ser alcançável a partir de armazenamento frio. No aplicativo da Blockstream, um pagamento de Lightning recebido pode liquidar como LBTC em uma carteira protegida pela Jade, o hardware wallet da empresa, com o dispositivo offline o tempo todo.

A Blockstream diz que o serviço está em fase de testes beta com participantes selecionados.

A suspensão da Boltz escancarou a fragilidade dos swaps diante dos ataques de inteligência artificial. A dependência de um único provedor ficou evidente quando a principal ponte saiu do ar.

O novo serviço da Blockstream reduz essa dependência, ao adicionar redundância a um mercado que ficou temporariamente sem a principal alternativa, uma lição que a pausa da Boltz deixou clara para todo o ecossistema de pagamentos em camadas.

O movimento reforça que a camada dois do bitcoin precisa de mais de uma alternativa funcionando ao mesmo tempo, e a entrada da Blockstream é um passo nessa direção.

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