Smart money compra ETH no spot e segura shorts antes do CPI
O mercado crypto entra na semana com o dinheiro em dois movimentos opostos. Os dados da Nansen registraram US$ 1,1 bilhão em entradas nos ETFs spot americanos na semana passada, a melhor semana do setor desde meados de abril, enquanto as carteiras de smart money na Hyperliquid amanheceram líquidas vendidas em bitcoin e ether. É o retrato da véspera do CPI, com o dinheiro comprando o ativo à vista e se protegendo no derivativo ao mesmo tempo.
Comprar spot e segurar short ao mesmo tempo é o cinto de segurança do período.
A mão compradora no spot
A mão compradora aparece nos números da Nansen. A coorte de smart traders comprou US$ 2,7 milhões em ETH em 24 horas, espalhados por 158 carteiras, um ritmo cerca de 7,2 vezes acima da média do grupo, e US$ 4,6 milhões na semana. As baleias também ficaram levemente positivas no spot de ETH, com US$ 111,8 mil no dia e US$ 225,3 mil na semana. No total, o ETH deixou as corretoras centralizadas em US$ 164,6 milhões nos últimos sete dias, sendo US$ 49,7 milhões só nas últimas 24 horas.
Os derivativos mostraram outra face.
Os derivativos na outra ponta
Na Hyperliquid, os smart traders amanheceram vendidos em US$ 46,8 milhões de bitcoin e US$ 20,9 milhões de ETH, e as carteiras classificadas pela Nansen como figuras públicas também ficaram vendidas nos dois ativos. As baleias, por outro lado, seguiram neutras em bitcoin e compradas em US$ 36,3 milhões de ETH. O funding perto de zero e o open interest estável confirmam a leitura da analista Lacie Zhang, da Bitget Wallet, de que não há alavancagem empilhada esperando para explodir e o risco de cascata de liquidações é baixo.
O CPI de julho sai nesta quarta-feira, às 9h30 no horário de Brasília.
O que o CPI pode mudar
Economistas ouvidos pelo Dow Jones esperam inflação anual de 3,4%, contra 3,5% em junho, com o núcleo recuando de 2,6% para 2,5%. Na Kalshi, o mercado de previsão dá 15% de chance de o número chefe vir acima do esperado e 11% para o núcleo. Zhang argumenta que a reação dos juros longos pode importar mais do que o número em si, já que o CPI sai na manhã do leilão de títulos de dez anos e o PPI chega na quinta, antes do leilão de trinta anos.
O Fed só decide juros em 16 de setembro.
Entre uma data e outra, a leitura de Zhang para a janela do CPI é de um bitcoin entre US$ 63 mil e US$ 66 mil e um ETH entre US$ 1.800 e US$ 1.950. Os ETFs de bitcoin atraíram US$ 853,5 milhões na semana, com US$ 693,7 milhões só no IBIT da BlackRock, e os de ether somaram US$ 244,9 milhões na quinta semana seguida de entradas, sinal de que o capital novo segue concentrado nos ativos grandes.
Os números até aqui pedem cautela.
O livro de posições retrata o momento, e o momento vira com o próximo número, com o mercado carregando os dois lados da mesma moeda. Quem acumula ETH no spot acredita no preço de hoje, e quem segura o short paga um seguro contra inflação acima do esperado. Se o CPI vier frio, o ajuste natural é fechar a proteção e deixar o spot respirar, e se vier quente, o ganho do derivativo amortece a queda do ativo à vista.
O número de quarta-feira decide o resto da semana.
Com funding neutro, open interest estável e posições equilibradas entre baleias e smart traders, o caminho mais provável é o preço respeitar a faixa atual até o CPI e só então escolher um lado. Entre os dois grupos, quem acumula ETH parece mais confiante do que quem apenas vendeu o futuro, e essa assimetria é o sinal mais interessante da semana.
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