Mercado Crypto

Cartões com stablecoin triplicam gastos e cruzam US$ 1 bilhão mensal

O volume mensal de gastos com cartões lastreados em stablecoin cresceu 200% em um ano e cruzou a marca de US$ 1 bilhão pela primeira vez em julho, somando US$ 1,03 bilhão, com alta de 16% sobre junho segundo dados consolidados pela plataforma de análise de mercado The Kobeissi Letter.

Foram mais de 10 milhões de compras no mês, um ritmo que não existia há pouco tempo. Três anos atrás, todo o volume mensal de cartões ligados a criptomoedas girava em torno de US$ 1 milhão, o que coloca o tamanho da virada em perspectiva. O salto acompanha a demanda por liquidação instantânea e acesso global, os dois atributos que o cartão com stablecoin entrega na prática.

A Jupiter Global, plataforma construída na Solana, foi o motor do recorde.

O cartão da Jupiter

Lastreado em USDC, o Visa de débito da empresa permite gastar o saldo em stablecoin em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira, sem banco tradicional no meio. A solução alcança mais de 150 milhões de pontos de venda em mais de 60 países, na ponte entre a rede e o consumo do dia a dia.

No lançamento, o cartão ofereceu 2% de cashback, com até 4% pelas indicações, e as condições promocionais valeram até o fim de junho. Mesmo depois do fim das promoções, a captação de usuários continuou subindo. A Jupiter registrou alta de 65% nos novos cadastros em julho, e os dados anteriores mostravam crescimento de 660% nos inscritos desde o início do produto.

Os números de mercado mostram quem domina o setor.

A Visa processa cerca de 90% das transações de cartões com stablecoin. Entre as moedas, a USDT responde por aproximadamente 62,5% do volume liquidado, com a USDC ficando com boa parte do restante. O domínio da rede e das duas maiores stablecoins indica que o mercado se consolidou em torno da infraestrutura tradicional de cartões, usando o dinheiro digital como lastro.

A geografia do gasto mudou. Cerca de 68% do volume total veio de usuários fora dos Estados Unidos, e a Jupiter respondeu com funcionalidades regionais, como pagamentos por QR code. No ritmo atual, o mês de US$ 1,03 bilhão projeta um gasto anualizado superior a US$ 12 bilhões no segmento.

A expectativa é que o ritmo continue acelerando.

A projeção das plataformas de análise é que o volume mensal chegue a US$ 1,5 bilhão ou mais até o fim de 2026. O marco de julho mostra uma evolução constante no uso de stablecoins, cada vez mais presentes em transações reais com comerciantes, em vez de servirem apenas para negociação ou investimento especulativo.

A Jupiter virou o exemplo mais visível dessa mudança.

A transição é lenta, mas o sinal é claro. O dinheiro digital está deixando de ser tratado como instrumento de negociação e entrando no caixa de quem compra coisas comuns, de café a assinaturas. A infraestrutura tradicional de pagamento abriu espaço para o lastro em stablecoin, e o usuário final nem sempre percebe que há criptomoeda por trás da compra.

O que começou como nicho virou um mercado com ritmo anualizado de mais de US$ 12 bilhões. O dado de julho sugere que a stablecoin encontrou um caso de uso real, e se o ritmo dos últimos doze meses se repetir, o próximo recorde virá antes do que o mercado espera.

⚠️ Aviso importante

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