Cypherpunk lucra US$ 39,4 mi no Q2 sem vender um ZEC sequer
A Cypherpunk Technologies, empresa que guarda parte da tesouraria da Zcash e controla a Leap Therapeutics, encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de US$ 39,4 milhões, revertendo a perda de US$ 16,6 milhões registrada um ano antes. O resultado não veio do negócio em si, e sim da reavaliação contábil da moeda de privacidade guardada no caixa da companhia, um mecanismo detalhado no balanço do segundo trimestre, divulgado pela empresa na quarta-feira junto à Comissão de Valores Mobiliários americana, a SEC.
O ganho não realizado de US$ 46 milhões na tesouraria de ZEC virou o sinal do resultado.
A companhia anotou perda operacional de US$ 4,7 milhões no trimestre, com despesas de pesquisa e desenvolvimento de US$ 0,2 milhão e custos gerais e administrativos de US$ 4,5 milhões.
Quando o ZEC paga a conta
Antes da reavaliação do ZEC entrar na demonstração, o negócio seguia no vermelho. No balanço, o ganho aparece na linha de variação do valor justo de um derivativo embutido, um mecanismo contábil que captura a oscilação do preço da moeda sem que a companhia precise vender os tokens.
A Cypherpunk marca a cada reporte o valor das participações em Zcash a preço de mercado. No fim de junho, usou US$ 400,09 por ZEC para colocar a tesouraria em US$ 129,4 milhões no balanço, um número que muda a cada trimestre conforme a moeda se move. O saldo em ZEC aparece como ativo digital a receber, separado do caixa da empresa, e o ajuste a cada reporte entra direto no resultado.
Em 11 de agosto, a companhia dizia segurar 323.394,38 Zcash, comprados ao preço médio de US$ 341,83, o equivalente a cerca de 1,92% de todo o ZEC em circulação.
O custo total da posição ficou perto de US$ 110,5 milhões, e o valor de mercado das participações, calculado com o preço de US$ 489,34 de quarta-feira, chegava a aproximadamente US$ 158,2 milhões, quase 50 milhões acima do que a empresa pagou pelos tokens.
O caixa da empresa, separado do saldo em ZEC, era de US$ 7,6 milhões em 30 de junho.
A história da Cypherpunk com a moeda começou antes do trimestre. A antiga Leap Therapeutics se rebatizou como Cypherpunk Technologies em 2025, adotou a Zcash como estratégia de tesouraria e comprou os primeiros tokens com US$ 50 milhões do próprio caixa, apostando que a demanda por privacidade digital cresceria com a coleta de dados em massa.
O resultado do período evidencia como o preço escolhido para reavaliar a tesouraria define o lucro reportado. Uma queda forte no ZEC transformaria o ganho em perda não realizada no próximo balanço, sem que nenhuma moeda tenha sido vendida no processo.
A aposta da biotecnologia
A Leap Therapeutics, agora subsidiária integral de biotecnologia, começou a buscar os meios financeiros para levar o sirexatamab à fase 3 de desenvolvimento.
A empresa avaliou que o programa pode ser financiado de forma independente ou encaminhado por meio de um acordo com outra companhia do setor, incluindo parceria, licenciamento, colaboração, venda ou outra estrutura societária.
Nenhum prazo foi definido, e a companhia ponderou que o financiamento ou a transação pode não sair do papel, sem amarrar a procura de capital da Leap à estratégia com o Zcash.
O trimestre, no fim das contas, fala mais sobre o mercado de ZEC do que sobre a operação. O lucro nasceu do ajuste de uma posição que a empresa não vendeu, e a próxima etapa da Leap depende de capital que ainda não apareceu. A Cypherpunk corre com dois cavalos, o preço da moeda e o desfecho da biotecnologia, e nenhum dos dois está sob controle da companhia.
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