Os ETFs de bitcoin voltam a sangrar e a Fidelity lidera o resgate
A sequência de entradas nos ETFs de bitcoin durou cinco pregões e terminou na sexta passada, com o melhor saldo semanal do setor desde abril. Desde então, os fluxos alternam entre o vermelho e o verde, e a quarta-feira voltou a fechar no negativo.
Os fundos à vista listados nos Estados Unidos devolveram US$ 61,16 milhões na sessão de 12 de agosto, segundo os fluxos compilados pelo CoinGlass. O movimento engoliu os US$ 4,89 milhões que haviam entrado na véspera, deixou a semana com duas saídas contra uma entrada e aconteceu em um dia em que o preço do ativo mal se mexeu.
A Fidelity liderou as retiradas. O FBTC, seu fundo à vista de bitcoin, respondeu sozinho por US$ 46,82 milhões, a maior saída do dia entre todos os produtos do setor.
O IBIT, da BlackRock, devolveu US$ 14,34 milhões. Os demais fundos de bitcoin passaram o dia zerados, sem compras nem resgates, o que deixou o saldo negativo do dia inteiro nas mãos dos dois maiores veículos do setor.
A leitura desse desenho é de comportamento seletivo. Quem ajusta posição usa os veículos mais líquidos, donos da maior parte dos US$ 79,1 bilhões em patrimônio do complexo, enquanto o restante do setor fica parado. O movimento de quarta, somado às retiradas da segunda, desenha o perfil de quem já está alocado e apenas ajusta a posição.
O vai e vem da semana
Segunda, terça e quarta alternaram os sinais. Na segunda, US$ 144,67 milhões saíram dos fundos e atingiram cinco produtos. Na terça, entraram US$ 4,89 milhões. Na quarta, o complexo devolveu os US$ 61,16 milhões, com o peso concentrado no fundo da Fidelity.
No acumulado desde o lançamento, o setor segue folgado no azul, com US$ 52,43 bilhões em entradas líquidas e cerca de 651 mil bitcoins a mais sob a gestão dos fundos.
Do outro lado da prateleira, os ETFs de ether seguiram o caminho oposto e atraíram US$ 7,38 milhões, puxados pelo ETHA, da BlackRock, que recebeu 3,9 mil ethers. Os produtos de solana, de XRP e de Hyperliquid ficaram parados, sem fluxo registrado.
A combinação do dia reforça a leitura de rotação. O capital não está deixando o mercado de criptoativos, está migrando entre produtos, saindo do bitcoin e acomodando parte do fluxo no ether.
O tamanho do movimento
O resgate tem efeito direto no mercado, porque a gestora vende bitcoin para devolver o dinheiro ao cotista. Mesmo assim, o valor resgatado é uma gota diante dos US$ 18,7 bilhões negociados em 24 horas, o que ajuda a explicar por que a cotação nem se mexeu. O ajuste acontece dentro da liquidez do próprio ativo, sem pressão sobre o preço.
Na manhã desta quinta, o bitcoin negociava a US$ 63.862, com alta de 0,77% em 24 horas e capitalização de US$ 1,28 trilhão, segundo a CoinGecko.
A Fidelity administra 171.263 bitcoins no FBTC, um patrimônio de cerca de US$ 10,9 bilhões, com taxa de administração de 0,25% ao ano, uma das mais baixas do setor de ETFs de criptoativos. Foi desse estoque que saíram os US$ 46,82 milhões de quarta.
Esse comportamento repete um padrão conhecido desde o lançamento dos fundos, em janeiro de 2024. As saídas aparecem em blocos, duram poucos dias e param, enquanto as entradas voltam a dominar o acumulado, que segue positivo em dezenas de bilhões de dólares. É o mesmo roteiro visto em outras classes de ativos que ganharam versão de ETF, com fases de ajuste pontuando uma tendência de captação, e a leitura de curto prazo não apaga o saldo construído desde a estreia dos produtos.
Quem quiser o raio-x do pregão de segunda, quando as saídas atingiram cinco fundos, encontra a sessão completa na matéria anterior do site.
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