Bitcoin

ETFs de bitcoin amanhecem no vermelho após cinco dias de entradas

Depois de cinco sessões seguidas de compras, os investidores tiraram dinheiro da mesa, e as retiradas se concentraram nos maiores fundos do mercado. O tom da semana mudou já na primeira sessão.

A sequência de entradas acabou.

Saídas se concentram nos maiores fundos

Os ETFs de bitcoin registraram US$ 144,67 milhões em saídas líquidas na segunda-feira, distribuídas em cinco produtos. A BlackRock liderou com US$ 53,56 milhões saindo do IBIT, seguida de perto pela Grayscale com US$ 52,02 milhões no GBTC. A Fidelity viu US$ 40,32 milhões deixarem o FBTC, enquanto a Bitwise e a Franklin Templeton reportaram US$ 28,44 milhões e US$ 7,38 milhões.

Só um fundo atraiu capital novo.

O Bitcoin Mini Trust da Grayscale foi o único a registrar entrada, com US$ 37,06 milhões. O reforço amenizou a queda, mas não mudou o resultado negativo da categoria, que fechou com volume de US$ 2,03 bilhões e patrimônio líquido de US$ 78,16 bilhões. Foi o primeiro dia de saída desde o encerramento da melhor semana do setor desde abril, quando US$ 853 milhões entraram nas carteiras em cinco pregões seguidos.

As vendas também alcançaram o ether.

Os ETFs de ether começaram a semana no vermelho, com US$ 14,59 milhões em saídas. O ETHA da BlackRock respondeu pela maior parte, com US$ 23,77 milhões retirados, e o FETH da Fidelity perdeu US$ 3,27 milhões. Houve compradores do outro lado, com o Ether Mini Trust da Grayscale somando US$ 8,59 milhões e o ETHB adicionando US$ 3,86 milhões. O segmento fechou com patrimônio líquido de US$ 10,5 bilhões, em um quadro de demanda institucional que se fragmenta entre ativos.

A dispersão ficou visível nos outros produtos. Solana atraiu US$ 8,83 milhões, todo canalizado para o BSOL da Bitwise, e os ETFs de HYPE somaram US$ 2,74 milhões, com BHYP e HYPG dividindo os ganhos. Os de XRP não registraram movimento.

No meio da saída, a BlackRock mexeu em outra engrenagem.

BlackRock corta o piso da conversão in-kind

O diretor de ativos digitais da BlackRock, Robert Mitchnick, disse que o valor mínimo para converter bitcoin em cotas do IBIT caiu de US$ 25 milhões para US$ 1 milhão. A conversão in-kind permite que grandes detentores de bitcoin entrem na estrutura do ETF sem primeiro vender por dinheiro, e a redução do piso alarga o acesso para mais investidores.

A empresa trabalhou nos últimos três trimestres para tornar o serviço mais acessível e espera baixar o piso ainda mais no futuro. O movimento sinaliza que o gestor enxerga espaço para atrair quem guarda bitcoin de forma nativa e quer migrar para o papel sem passar pela caixa.

É infraestrutura que aproxima dois mundos.

Menores mínimos de conversão facilitam a passagem de quem guarda bitcoin nativo para a conta de corretora tradicional, sem o custo fiscal e operacional de converter tudo em caixa. Na prática, a BlackRock constrói uma ponte mais larga entre a propriedade nativa de crypto e o mercado de capitais dos EUA.

A saída de segunda não apaga o movimento de fundo.

Os cinco dias de entradas que precederam a virada somaram US$ 853 milhões, a melhor semana desde abril. A retirada de US$ 144 milhões fica abaixo do acumulado desses dias e aconteceu justamente enquanto a indústria ampliava o acesso institucional por outra via. Em uma sessão, os grandes fundos devolveram parte do que acumularam, mas a estrutura de acesso que abre caminho para o capital novo seguiu avançando.

A direção de longo prazo continua sendo de abertura, mesmo que o ritmo tenha tropeçado na segunda.

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