Auditoria da KPMG aprova reservas da Tether com folga de US$ 6,8 bi
A Tether, emissora da maior stablecoin do mercado, passou pela primeira auditoria independente da sua história, com a KPMG atestando que o lastro supera as obrigações em US$ 6,8 bilhões. A firma, uma das quatro maiores auditorias do mundo, emitiu opinião sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras de 2025, a aprovação mais limpa que uma companhia pode receber, e o trabalho foi feito sob os padrões contábeis americanos, os mesmos que regem as demonstrações de empresas de capital aberto.
O excedente de reservas sobre passivos foi confirmado pelo diretor financeiro da empresa.
A opinião sem ressalvas, chamada de unqualified opinion no jargão contábil, significa que o auditor não anexou ressalvas, exceções ou condições ao seu parecer. O exame abrangeu todo o balanço, das reservas que sustentam cerca de 183 bilhões de dólares em USDT, a moeda usada por mais de 650 milhões de pessoas em todo o mundo.
A auditoria, encerrada em dezembro de 2025, foi conduzida de forma independente, sem participação da equipe financeira da Tether.
As barras de ouro que a Tether mantém como lastro foram conferidas uma a uma pela equipe da KPMG, que também revisou transações, sistemas, registros de propriedade, avaliações, contrapartes e as evidências subjacentes que sustentam as demonstrações financeiras.
O selo que faltava
A Tether celebrou o feito como inédito em tamanho para uma primeira auditoria, mas o relatório completo não foi tornado público.
O resultado encerra anos de questionamentos sobre o que está por trás do USDT. A empresa publicava regularmente atestações da BDO Italia, que confirmavam o tamanho das reservas, mas nunca havia passado por uma auditoria completa de uma das firmas do primeiro escalão da contabilidade, e o mercado tratava essa distinção como relevante.
O marco chega quase cinco anos depois da multa aplicada à Tether, de US$ 41 milhões, pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, a CFTC, por alegações enganosas sobre o lastro da moeda.
Na época, o regulador americano apontou que a empresa havia dito que mantinha reservas suficientes para lastrear cada USDT em circulação quando, na maior parte do período, os ativos não estavam totalmente depositados em contas em nome da companhia. A Tether contestou a leitura da agência na ocasião.
O passado que a auditoria não apaga
A Tether dizia há anos que buscaria uma auditoria completa, e o anúncio da KPMG responde a um pedido antigo do mercado. A emissora informou que o trabalho complementa os relatórios trimestrais de reservas já publicados pela empresa.
A emissora, sediada em El Salvador, busca construir presença nos Estados Unidos, onde o USDT é emitido por uma entidade fora do país, e a auditoria chega em meio a essa movimentação.
O mercado de stablecoins acompanhou o anúncio de perto, já que o USDT é a moeda estável mais usada do mundo.
A aprovação da KPMG dá à Tether um selo de credibilidade que a empresa persegue há anos, mas a auditoria não apaga o histórico de desconfiança do mercado com stablecoins. O USDT sustenta o preço dessa base de usuários, e a folga de US$ 6,8 bilhões agora está documentada por uma das maiores firmas do mundo, ainda que o relatório completo continue fora do alcance do público.
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